quarta-feira, 15 de março de 2017

O Voo da Águia - Simon Scarrow

   "Estamos no ano 43 antes de Cristo. As temíveis legiões do imperador Cláudio desembarcaram nas costas da Britânia e preparam-se para uma das mais terríveis e sanguinárias campanhas na história de Roma. Sob a águia da Segunda Legião, Macro - um centurião veterano, e Cato - o seu lugar-tenente, vão ter de ir ao encontro do inimigo antes que este cresça ainda mais. É que, a cada dia que passa, aumenta o número de bretões enfurecidos e dispostos a morrer pela sua ilha. Infelizmente, os selvagens da Britânia não são o único perigo que as legiões correm. Uma conspiração de poderosos aristocratas romanos procura minar o imperador Cláudio. Para tal, estão dispostos a sacrificar a campanha contra os bretões e, se necessário, a vida de todos os legionários. Para sobreviver, Macro e Cato vão ter que agir muito depressa. Mas quando a campanha ameaça transformar-se num desastre... as opções não são muitas!"

   Boas Leitores!
   Continuando as sagas, não acabando, mas pelo menos avançando pouco a pouco para esse rumo, temos aqui o segundo volume de A Saga da Águia. Ainda faltam alguns volumes para acabar (cerca de treze), mas como o grande ditado diz: grão a grão enche a galinha o papo.
   E que tenho aqui a dizer do segundo volume? Não muito. Já percebi o forte deste autor que são as batalhas, e digo isso por o livro estar repleto delas, no início, a meio, no fim, estão por todo o lado. Mas isso não quer dizer que torne o livro bom, aliás acho que acaba por ter o efeito oposto, batalhas a mais tornam-se aborrecidas e sem grande surpresa.
   Claro que parte desse aborrecimento deve-se ao enredo, que não é nada complexo e por vezes muito previsível. Baseou-se muito no primeiro livro, excepto que este passava-se num sítio diferente e com mais batalhas. O ponto positivo que tenho a dar é que, talvez, a longo prazo, o enredo seja melhor do que aquele que vemos em cada volume.
   Algo bom a dizer foi talvez a personagem principal, foi bem caracterizada, já o mesmo não se pode afirmar pelo resto das personagens. Ou eram pouco desenvolvidas ou então tomavam atitudes por vezes inesperadas. Mas, acho que isso se deve a transformações, mais uma vez, a longo-prazo. Ou pelo menos é essa a minha esperança.
   A qualidade diminuiu por certo, esperemos que nos treze volumes que ainda faltam a história melhore e não seja apenas repetição do que se viu nesta obra. Caso queiram saber mais acerca do livro anterior, é só clicarem no link seguinte: Crítica - A Águia do Império
   Boas Leituras... ;)
5/10

André

quarta-feira, 1 de março de 2017

Bestas de Lugar Nenhum - Uzodinma Iweala

   "Bestas de Lugar Nenhum (Beasts of No Nation, 2005) conta a história na primeira pessoa de Agu, um menino que, num país africano sem nome, é obrigado a combater numa das muitas guerras civis que assolam o território.
   O que é original nesta história é a maneira como é contada, numa língua inventada, parte pidgin nigeriano, parte cunhagem do próprio autor, que nos transporta para dentro da cabeça e do coração de um menino a quem tiram a mãe e que, por isso, se sente já homem, sempre saudoso da infância. O relato impiedoso das atrocidades mais comuns é, pois, constantemente trespassado pela poesia nostálgica das recordações vívidas e felizes de criança, o que nos suscita simpatia e nos leva a questionar até que ponto estamos dispostos a perdoar. E também se afinal perdoamos porque, com as condições certas, «qualquer pessoa dá um homicida qualquer», ou porque nós próprios queremos livrar-nos desta culpa: estar passivamente sentados no sofá a ler uma história que se passa tão longe como um filme de acção no cinema ou as notícias na televisão."

   Boas leitores!
   Esta obra, singular, sem qualquer género de saga ou prequela associada, é pequena (não chega às 200 páginas), no entanto é tão poderosa como livros gigantescos.
   Antes de dar a opinião do livro, quero só referir o quão trabalhoso deve ter sido para o tradutor conseguir fazer este trabalho e transmitir de forma realista o que o autor queria transmitir. Pontos positivos para ele!
   Agora a obra. Como já disse, é pequena, mas trás imensos acontecimentos nela. É um daqueles livros que estão sempre coisas a acontecer, sem nunca parar. Não dão espaço para o leitor descansar. E muitos deles conseguem atingir as emoções do leitor de forma adequada, pelo menos foi isso que senti. Houve momentos que me senti desconfortável, o que é raro de acontecer e fico muito contente por ter acontecido, significa que tem boa qualidade de escrita!
   Quanto ao enredo, não há muito que pudesse enrolar e tornar complexo por isso este não é dos grandes fortes da obra. Mesmo assim, consegue ser melhor do que muitos livros comerciais que li.
   As personagens não são muito identificáveis, excepto o protagonista, esse cria uma ligação com o leitor, o resto fica em pano de fundo, talvez propositadamente, o autor pode não querer que quem leia sinta algo pelas outras personagens.
   É, em geral, um livro bom que aconselho para quem gosta deste género. Eu nunca teria lido se não tivesse sido oferecido, mas ainda bem que ofereceram-mo.
   Boas Leituras... ;)
8/10

André