quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Bakuman Vol.20 - Dreams and Reality - Tsugumi Ohba & Takeshi Obata

   "Average student Moritaka Mashiro enjoys drawing for fun. When his classmate and aspiring writer Akito Takagi discovers his talent, he begs Moritaka to team up with him as a manga-creating duo. But what exactly does it take to make it in the manga-publishing world?
   For ten years, two young men have worked as hard as they possibly could to make their manga dreams come true. Now, as they sit atop the manga world, can the promise made long ago finally be fulfilled?!"

   Hello readers!
   Bem, aqui está, o último volume da maratona que foram os vinte volumes de Bakuman. Com vários altos e baixos, tenho que afirmar que este volume foi uma boa cereja no topo do bolo. Este volume tem os oito capítulos finais desta história.
   Foi de forma surpreendente que os últimos capítulos de Bakuman trouxeram nervosismo e emoção até mim. Mesmo já tendo visto a série animada, e, como tal, saber o que iria acontecer, ler este volume foi como se não soubesse de nada. Não por ser diferente, mas pela maneira como foi desenhado e escrito, o suspense que os autores criam atinge os leitores de maneira certa. Os primeiros capítulos deste volume foram lidos num ápice, a acção do arco não permitia de outra forma, não pelo menos até conseguirmos saber quem sairia vencedora do concurso (mesmo toda a gente sabendo quem é que acabaria por ser a vencedora, o que só demonstra a qualidade de escrita e desenho dos autores). Imagino que num cenário onde leria estes capítulos semanalmente, como eles saíram no Japão, ao ver estes capítulos não teria ideia que a história estaria a acabar, como tal, o resultado seria imprevisível para mim, tal como foi várias vezes ao longo do enredo.
   Como seria de adivinhar, este foi o volume com maior romance, o que em si é uma pena e uma bênção. Uma pena visto que este romance é o catalisador de toda a história, e seria interessante ter um maior input disso ao longo do enredo. Por outro lado, foi uma bênção ter este romance agora para podermos dar um ponto final de forma feliz.
   Quanto à minha opinião overall da saga, acredito que possa ser polarizante. Por um lado é uma série que sabemos desde o início qual será o seu fim, como tal, não haverá surpresas finais, nem mistério. No entanto, o que conta nesta história não é o seu final, mas sim o percurso. Saber as engrenagens da publicação de mangás, e ver jovens a concretizar os seus sonhos, é disso que esta saga se trata, e quanto a esses objectivos, posso dizer que foram cumpridos. O último volume fez questão de nos dar a cereja no topo do bolo que fomos vendo a ser cozinhado ao longo de todo este tempo.
   Caso queiram saber da minha opinião aos outros volumes, porque nem todos foram bons, foi uma viagem de altos e baixos, basta seguirem os links: Crítica - Bakuman Vol.19 - Decision and Delight
   Boas Leituras... ;)
9/10

André

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Os Portões da Casa dos Mortos - Steven Erikson

   "O Império Malazano é abalado por uma purga da nobreza onde muitos aristocratas são traídos e desterrados para as minas. Enquanto isso, no Sagrado Deserto Raraku, a Vidente Sha'ik e os seus seguidores aguardam o líder prometido de uma rebelião há muito profetizada.
   Perante esta insurreição brutal, as forças malazanas terão de recorrer a um plano de evacuação desesperado e audaz para salvar os refugiados imperiais. De uma dimensão e selvajaria nunca antes vistas, este pico de fanatismo e sede de vingança irá mergulhar o Império Malazano num conflito sanguinário onde as hipóteses de sobrevivência não estão ao alcance de todos."

   Boas Leitores!
   Voltamos às obras estrangeiras. E desta vez é mais uma obra de Steven Erikson, o seguimento da saga O Império Malazano este livro é a primeira metade do segundo livro original.
   E que pena ser apenas a primeira metade, pois o certo foi que ao acabá-lo queria pegar imediatamente no próximo. Mas ainda tenho de esperar algum tempo, que a outra metade ainda não está publicada em português (mas está em processo!).
   Se bem se lembram, a obra anterior tinha sido um pouco confusa de início devido a todos os nomes diferentes de personagens, raças, locais, magias e toda uma outra panóplia de coisas. Este não mudou muito nesse aspecto. O início foi caótico, com uma catrefada de nomes atirados ao leitor. Mas não que isso seja mau, o leitor é atirado para um mundo que desconhece (ou que tem apenas um ligeiro contacto com a primeira obra) é normal nem tudo fazer sentido. Por boa escolha, esta obra tem algumas personagens do primeiro livro, criando assim uma ponte entre os dois onde o leitor pode descansar e sentir-se seguro de que não está à deriva das páginas.
   E assim aconteceu, antes que desse por isso estava agarrado às personagens que não tinha conhecido antes, a querer saber o que fariam. Antes até me poderiam ser personagens indiferentes, mas o certo foi que a escrita do autor conseguiu atirar gavinhas na minha direcção e prender-me àquelas que não dava muita atenção. Outro pormenor na escrita, que consegui perceber só no final, foi que a minha opinião mudava ao longo da obra, tanto gostava de certa personagem, como passei a ter um ódio de estimação por ela, contudo, havia momentos que poderia torcer por essa personagem ainda. Isto é um traço de um grande escritor!
   Quanto ao enredo, é uma história que não falta de grim dark no seu género. Sanguinária às vezes, com descrições detalhas que dão ainda mais intensidade à história, este género carrega a loucura e tensão que os continentes onde esta obra se passa estão a sentir. O único defeito foi ter acabado a meio, ainda por cima quando estava no climáx da acção. Poderia ter lido a outra metade num outro instante.
   Como já disse, e repito, estou desejoso de ler a segunda parte, e experimentar mais da escrita deste autor fantástico. Caso queiram saber sobre o primeiro livro da saga, basta seguirem o link: Crítica - Os Jardins da Lua
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Anjo Branco - José Rodrigues dos Santos

   "A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo.
   O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
   No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda do mato.
   Chamam-lhe o Anjo Branco.
   Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.
   Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens dignas de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África."

   Boas Leitores!
   E aqui estamos mais uma vez com José Rodrigues dos Santos, ou neste caso, com uma obra dele. Como todas as outras obras, esta é mais uma obra isolada, que não necessita de leitura prévia ou posterior para poder entender-se tudo. Contudo, caso estejam interessados, existem pequenos pormenores da obra A Vida num Sopro que interagem com a obra que estamos a opinar aqui. Não é, de todo, uma leitura necessária para que se consiga entender a obra O Anjo Branco.
   Este livro versa sobre o Ultramar, caso não tenham entendido isso pela sinopse, e sobre como essa guerra alterou muito o estado dos países de África. Temos uma perspectiva muito boa escrita pelo autor, tanto de como Portugal vê as colónias, num tom depreciativo e racista, mas também de como tenta fazer-se por vezes o melhor para eliminar essas diferenças e distâncias raciais. Escrito numa típica escrita simples do autor, este livro de mais de 600 páginas lê-se rapidamente.
   A obra teve um modus operandi semelhante à última obra que li dele, onde vemos no início do livro o nascimento e crescimento duma criança que eventualmente dá origem ao protagonista da história. Desta vez o segundo protagonista foi só introduzido depois do crescimento da primeira, quase como se o ápice do primeiro protagonista fosse o início do segundo, apesar de eles não entrarem em contacto até muito depois no livro.
   Tirando estas duas personagens achei que o resto delas tinha pouco material onde se agarrar. Esperava que Mimicas, umas das personagens femininas fosse ter uma maior importância, que não teve, tal como Sheila, ambas com finais repentinos. Não sei se foi de propósito, querendo mostrar o facto de que naquela altura, em Portugal, o papel feminino quase não existia e o mundo era governado apenas por homens.
   O enredo foi por certo interessante. A parte final do livro, apesar de um pouco apressada, criou emoções fortes e vontade de ler tudo num ápice. Se tivesse sido um pouco mais prolongada, principalmente nos efeitos pós-"terrível segredo", acho que ficaria ainda melhor, teríamos um final conclusivo, em vez de algo que ficasse um pouco em aberto, principalmente quanto às relações entre personagens.
   É, contudo, uma grande obra. Para aqueles que têm interesse no Ultramar, esta é a obra a ler. Outros factores como romance ou intriga, o autor tem melhores livros para isso.
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Luz Miserável - David Soares

   "O horror está de volta.
   Nestas três histórias, David Soares (O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados) apresenta imagens de luz e trevas que não deixarão ninguém diferente.
   Do ambiente exótico de A Sombra Sem Ninguém, passando pelos interiores claustrofóbicos de A Luz Miserável, até à extravagância macabra de Rei Assobio, prepare-se para conhecer personagens inesquecíveis, como um homem "quase" invisível, três soldados amaldiçoados e um velhote mutilado e vingativo.
   Do suspense ao splatterpunk, A luz Miserável é um livro de contos provocadores, diabólicos e literários. Uma viagem vertiginosa ao lado negríssimo da imaginação."

   Boas Leitores!
   Mais uma semana com um autor português a aparecer no blogue! Desta vez não é uma estreia, David Soares de volta. Esta obra é uma obra isolada que conta com três contos (de que são falados na sinopse). É uma obra pequeníssima que não chega às 150 páginas, mas que tem muito para contar.
   Esta obra é completamente diferente da anterior que li do mesmo autor, Batalha. Estes três contos não são, de todo, para os mais susceptíveis. Com descrições bastante gráficas de cenas violentas, o leitor consegue ter toda a imagem mental do que lê. No que toca ao horror, este autor está de parabéns porque conseguiu atingir o objectivo no alvo.
   Falando dos contos em separado, o primeiro deles foi o mais fraco na minha opinião. Foi o que conteve mais fantasia de entre os três e menos horror, talvez por isso tenha achado o mais fraco. Ao comparar com os dois seguintes este não carregava a mesma emoção nem força motriz para ser lido.
   O segundo foi, de longe, o meu favorito. Começa de forma horrenda e misteriosa, do qual o leitor pouco vai entendendo. Mas o autor vai dando pequenas pistas sobre o que aconteceu e o que está a levar ao presente na história e, após uma grande cadeia de acontecimentos psicadélicos, ficamos num estado de choque perante a imagem que temos do final deste conto.
   O terceiro foi o que ficou a pender para o bom lado destes três. Também virado para o horror, com grandes descrições, só não ganhou mais ímpeto por achar por vezes demasiado longo no seu desenvolvimento. Talvez tenha sido fruto de ter lido dois contos menores antes e estar à espera de mais do mesmo, o certo é que a qualidade deste conto é também alta.
   No geral é uma obra de horror escrita por um autor português equiparável ao grande Stephen King. Fiquei definitivamente curioso em ler mais deste autor, de preferência neste género. Aconselho a todos aqueles que gostem de se sentirem horrorizados por descrições e ficarem com um olho a espreitar para todos os cantos à espera que algo apareça.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

E Se...? - Randall Munroe

   "Milhões de pessoas visitam XKCD.com todas as semanas para ler a vinheta de Randall Munroe. As suas figuras simples e desenhos minimalistas sobre ciência, tecnologia, amor e o sentido da vida têm uma vasta legião de seguidores.
   Fãs de XKCD colocam a Munroe imensas questões bizarras. E se tentasses bater uma bola de basebol lançada a 90% da velocidade da luz? Se houvesse um apocalipse robótico, quanto tempo duraria a Humanidade na Terra?
   Na busca de respostas, Munroe opera simulações de computador, analisa dossiês de pesquisa militar confidencial, resolve equações diferenciais e consulta operadores de reatores nucleares. As suas respostas são obras de arte de perspicácia e humor e normalmente preveem a absoluta aniquilação da Humanidade ou uma explosão inimaginável que arrase tudo!
   E se...? é uma leitura obrigatória para todos aqueles que adoram os grandes enigmas da vida, da ciência e, claro, perguntas tão absurdas quão divertidas."

   Boas Leitores!
   Fazemos esta semana uma pausa nos leitores portugueses para lermos uma obra ligeiramente diferente. Esta obra é mais um compêndio de questões absurdas com respostas científicas, não um romance de literatura fantástica. Como tal é um livro isolado que qualquer um poderia pegar, principalmente se é um daqueles leitores com o bichinho da ciência.
   Uma obra com uma grande vertente cómica, mesmo quando trata de ciência, um assunto que muitos acham aborrecido. Claro que as ilustrações são um ponto fulcral para que essa onda cómica atinja os leitores. Eu pelo menos vi-me por diversas vezes a rir ao ver ou ler um dos comics que o autor fazia.
   As perguntas por vezes interessantes, outras assustadoras (e ainda outras que me fazia questionar quem é que consegue imaginar aquele tipo de perguntas) são variadas e algumas até bem surpreendentes. As respostas, por outro lado, apesar de serem explicadas de forma acertada, onde qualquer pessoa que leia consiga entender, acabam por ser um pouco repetitivas na sua conclusão: tudo explode/morre. A culpa não é do autor, a ciência é assim e se os factos ditam aquilo, então não haveria volta a dar. Mas aposto que haveria uma variedade enorme de perguntas que não acabariam no mesmo corredor de pensamento.
   E acho que o autor sente o mesmo ao final do livro, quando chega à conclusão que é bom não destruir tudo constantemente. Acho que este é o único pormenor por onde a obra peca. Se tivesse perguntas mais variadas (a maior parte estava apenas no campo da física (onde o autor tem maior background), com uma ou outra a versar sobre química ou biologia) seria interessante de formas ainda mais absurdas.
   É definitivamente uma obra para quem tem a curiosidade de querer saber o que aconteceria caso as condições mais insólitas se reunissem. Aconselho.
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Memórias de um Vampiro - Rafael Loureiro

   "Memórias de um Vampiro é o primeiro volume de uma trilogia onde romance e aventura se combinam para nos abrirem as portas a um universo repleto de emoções intensas, valores supremos e conflitos arrebatados. Movendo-se nas sombras, existe uma realidade para além daquela que conhecemos, uma sociedade paralela que descende de linhagens que se perdem nos primórdios dos tempos. Daimon DelMoona é um dos membros dessa sociedade. Nascido no século XVII, viu o seu mundo desmoronar-se quando a mulher que ia desposar morre. Do seu sofrimento é resgatado por uma vampira, que lhe concede o Novo Nascimento. E assim começa para Daimon uma odisseia que atravessa os séculos para culminar numa batalha contra o tirano Alexander, um vampiro sedento de poder, responsável pela morte de muitos vampiros inocentes. Para travá-la, novas alianças terão de ser forjadas, e um amor com ressonâncias do passado terá de ultrapassar duros obstáculos. Mas conseguirá Daimon vencer esta cruzada e concretizar o seu amor sem fim?"

   Boas Leitores!
   Aqui estamos uma vez mais com autores portugueses na mesa de cabeceira. E por mais uma semana é para estrear outro autor português aqui no blogue. Desta vez é Rafael Loureiro. Esta obra é a primeira de uma trilogia com o nome Nocturnus onde todos os volumes da trilogia já foram publicados pela mesma editora, Editorial Presença.
   É uma obra do género fantástico (claro, visto que envolve vampiros). Os vampiros nesta história são dos antigos (significado: não brilham à luz, caso sejam expostos a luz solar morrem) e esta não é outra daquelas obras que giram à volta de problemas de adolescentes. Mas os leitores pensam: "Vampiros, outra vez? Mas essa moda ainda não acabou?". Ao que respondo: sim, porque, por vezes, uma história com vampiros não significa o mesmo de sempre e pode ser criada de uma maneira completamente original.
   Começa por ser uma obra interessante quanto ao seu setting de sociedade vampírica. A ideia de criar linhagens diferentes (quase como se tivessem evoluído de um ancestral comum) foi boa e deu logo um ar diferente ao enredo do que o típico "único criador" dos vampiros. O facto de cada uma das linhagens ter características só suas devido ao ancestral foi um pormenor interessante e que poderá ser bem mais investigado nos próximos volumes.
   No entanto achei o livro pobre em escrita. Não pelo autor escrever mal, mas por parecer a primeira obra do autor. Não que todas as primeiras obras sejam más, e mesmo que algumas tenham uma má escrita não quer dizer que devam logo ser rejeitadas. A escrita nesta obra poderia ter sido tão mais aprofundada, com melhores descrições.
   E o mesmo se aplica ao enredo. Este é um livro pequeno, com cerca de 200 páginas. Muito facilmente poderiam ter sido escritas mais cem que adicionariam uma profundidade enorme à obra tornando-a, a meu ver, muito mais apelativa e sem que houvesse partes onde tudo acontece em meia página, num jeito meio à pressa.
   Espero que o próximo volume da trilogia traga mais alguma profundidade a este mundo e até a algumas personagens que só foram desenvolvidas muito superficialmente.
   Boas Leituras... ;)
6/10

André

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Batalha - David Soares

   "Em Batalha, David Soares apresenta uma história em que os animais são protagonistas. Passado no início do século XV, Batalha é um romance sombrio, filosófico e comovente, que observa o fenómeno religioso do ponto de vista dos animais e especula sobre o que significa ser-se humano.
   Batalha, a ratazana, procura por sentido, numa viagem arrojada que a levará até ao local de construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o derradeiro projecto do mestre arquitecto Afonso Domingues. Entre o romance fantástico e a alegoria hermética, Batalha cruza, com sensibilidade e sofisticação, o encantamento das fábulas com o estilo negro do autor."

   Boas Leitores!
   Voltamos a pegar em leitores portugueses (dar um incentivo a este pequeno nicho, que temos de ajudar, principalmente quando se trata de fantasia/ficção científica em Portugal) desta vez um autor que nunca antes li, David Soares.
   Não tinha expectativa nenhuma para este
livro, nunca li nada do autor nem nunca tinha ouvido falar dele. Mas em geral foi uma leitura agradável. Não sei se consideraria isto no campo da fantasia ou da ficção científica, sendo que o único elemento fantástico são animais falantes. O centro da história é muito filosófica e faz o leitor pensar constantemente sobre estas questões.
   A escrita é em certos pontos entusiasmante, com violência e horror que atingem o leitor da maneira certa, de forma directa mas sem chocar em demasia. Por outro há um uso excessivo de palavras digamos "arcaicas". Algumas é certo que só são estranhas pela falta de uso no dia-a-dia e não me incomodaram muito. Outras vezes o uso deste tipo de palavras é tão intenso que tirava-me do "estado de leitura" e portanto interrompia o fio à meada.
   Tirando isso a história não algo por aí além até porque não é isso o cerne da obra. A obra centra-se em conversas sobre o significado de religião e vida, dor e morte entre muitos outros. São estas conversas que fazem o interesse aumentar e criam faíscas na mente dos leitores para fazê-los pensar mais do que aquilo que está escrito em papel.
   Pelo que ouvi falar, esta não é uma obra "típica" do autor, pelo que estou curioso para ler mais dele. Mas tenho de admitir que esta obra não é para todo o público, é algo pesada e apenas aqueles que sabem para onde se dirigem é que decidirão lê-lo, precisam de estar no estado de mente correcto, por isso boa sorte!
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Soul Eater vol.20 - Before Long the Madness Breaks Out - Atsushi Ohkubo

   "Kid has been freed from Noah's greedy clutches, but The Book of Eibon remains at large. Noah was a troublesome foe, but the vast knowledge contained within the book could itself be dangerous - and information is not all that lies in its pages... Meanwhile, Crona has resurfaced in Moscow, his madness and Medusa's maternal pressure having all but consumed the friend Maka once knew. The question is how many will be devoured by Crona's madness before he can be stopped?!"

   Boas Leitores!
   E atingimos o vigésimo volume! Falta-nos uma mão cheia de volumes para acabar esta saga, cada vez mais próximo! Este volume foi também um dos maiorzitos, com 6 capítulos, montes de diversão! Ou será que não?
   No volume anterior, como falei na crítica, foi o terminar de um dos maiores arcos que a saga teve até agora. Este volume foi apenas capítulos soltos que serviram dois propósitos: o primeiro era dar a perceber quais foram as repercussões do que aconteceu no arco. O que é que as personagens estavam a fazer agora. O segundo foi começar a construir tensão suficiente para o próximo arco. Embora tenham sido capítulos soltos, houve várias ligações entre eles sobre temas ainda não totalmente compreendidos.
   Fui surpreendido neste volume com uma simples ação, que não falarei aqui para não spoilar ninguém, mas digamos que, esse mesmo ato foi uma prova de desenvolvimento psicológico de uma das personagens. Infelizmente foi também o único desenvolvimento psicológico dentre todas as personagens que apareceram. Mas voltando à parte de ser-se surpreendido, ao mesmo tempo que fui surpreendido fui também um pouco desiludido pelo facto da ação ter sido tão fácil e rápida, depois de tantos volumes de volta do assunto e depois, aparentemente do nada, aquilo acaba, foi um pouco estranho.
   Tenho pena que o autor não decida dar mais detalhe às histórias de background de personagens que aparecem quase do nada e que têm a sua vida onde é suposto o leitor ficar interessado nela. Talvez um público mais jovem fique, de certeza, mas para um público mais velho não há qualquer ligação emocional.
   A curiosidade sobre o que vem a seguir é grande, espero é que os volumes seguintes consigam manter-se à altura ou então subir mesmo de qualidade. Caso queiram saber mais sobre o volume anterior, basta clicarem no link seguinte: Crítica - Soul Eater vol.19
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A Filha do Capitão - José Rodrigues dos Santos

   "O capitão Afonso Brandão mudou a vida, quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras de Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu pernoitar num castelo perto de Armentières. Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível.
   Mas o seu amor iria enfrentar um duro teste. O Alto Comando Alemão, reunido em segredo em Mons, decidiu que chegara a hora de lançar a grande ofensiva para derrotar os aliados e ganhar a guerra e escolheu o vale de Lys como palco do ataque final. À sua espera, ignorando o terrível cataclismo prestes a desabar sobre si, encontrava-se o Corpo Expedicionário Português.
   Passado durante a odisseia trágica da participação portuguesa na primeira guerra mundial, o romance A Filha do Capitão narra-nos a inesquecível aventura de um punhado de soldados nas trincheiras da Flandres e conta-nos a paixão impossível entre um oficial português e uma bela francesa. Mais do que uma simples história de amor, esta é uma comovente narrativa sobre a amizade, mas também sobre a vida e a morte, sobre Deus e a contradição humana, sobre arte e a ciência, sobre o acaso e o destino.
   Com esta obra inesquecível, o grande romance está de volta às letras portuguesas."

   Boas Leitores!
   Há imenso tempo que não tínhamos uma leitura de um autor português (e agora vem uma catrefada deles, intercalados com autores estrangeiros e tal), e começamos esta tendência de leitura de autores portugueses com um dos mais famosos no nosso país, José Rodrigues dos Santos.
   Este é o oitavo livro do autor que leio. Alguns dos livros dele assemelham-se a Dan Brown, no sentido de ter uma personagem comum a alguns livros que são mais ou menos mistérios, mas onde cada obra pode ser lida isoladamente. Contudo, José Rodrigues dos Santos tem também vários livros isolados de variados temas. Dependendo do humor do leitor, estes podem ser bem recebidos caso se queira ler algo mais pesado ou menos "policial/mistério".
   O enredo do livro é extenso, começando na infância de dois jovens e indo até a vida adulta de ambos. Grande parte desta obra é passada, como diz a sinopse, na primeira guerra mundial. Mas que isso não vos demova. A sinopse diz também que neste livro não se fala só de amor ou de guerra e é bem verdade. Várias conversas entre personagens versam sobre imensos assuntos, e se querem uma leitura que vos faça pensar em questões essenciais à vida, mas que não seja o tema central do livro, então esta pode ser uma boa escolha.
   O desenvolvimento das personagens é boa para os protagonistas e algumas das personagens secundárias. Há imensas que são deixadas de lado, o que é normal, não se pode desenvolver todas as pessoas que entram na história. Mesmo assim há um par ou trio de personagens que achei uma falta de desenvolvimento, ainda para mais quando na história se passa assim tanto tempo desde o início ao fim.
   Não sei quanta pesquisa o autor fez para introduzir nesta história os conceitos e factos que introduz. Mas o certo é que o autor consegue não só dar um contexto da participação portuguesa na guerra como também mostrar o que se passava ao mesmo tempo em Portugal que estava em constante mudança e que, consequentemente, alterava também os planos na guerra. Foi um facto que gostei (mas aqui talvez entre a minha falta de livros sobre a primeira guerra mundial e o papel de Portugal nela).
   É uma obra interessante e que, como disse antes, pode apelar a um certo público que queira algo mais sério com um toque de romantismo (não muito forte e às vezes imprevisível).
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Irmandade - Oliver Bowden

   "Roma, outrora poderosa, jaz em ruínas. A cidade está impregnada de sofrimento e degradação, os seus cidadãos vivem sob a sombra da impiedosa família dos Bórgia. Apenas um homem poderá libertar o povo da tirania Bórgia: Ezio Auditore, o Mestre Assassino.
   A demanda de Ezio irá testá-lo até aos seus limites. César Bórgia, um homem mais malévolo e perigoso que o seu pai, o Papa, não descansará enquanto não tiver conquistado Itália. Nestes tempos tão traiçoeiros, a conspiração está por todo o lado, até no meio da própria Irmandade..."

   Boas Leitores!
   Primeiro tivemos a Renascença, agora chegou Irmandade. É verdade, o segundo livro da saga Assassin's Creed já chegou ao blogue, permitindo-nos viajar para o mundo que é a Itália da época dos descobrimentos. Esta obra é uma adaptação do jogo com o mesmo nome.
   Curiosamente, eu não joguei esse jogo da saga (apenas a trilogia principal foi jogada), pelo que quando comecei a minha leitura pensava que iria seguir o mesmo plano que nos jogos. Fui surpreendido por não ser como esperava. Ler um livro cujo jogo nunca joguei deu-me assim a possibilidade de ler uma obra que é uma adaptação dum jogo sem estar spoilado pelo jogo como aconteceu com o primeiro volume.
   A história não é má, o enredo tem umas boas premissas que giram um pouco à volta dum género policial. No entanto a sensação de jogo continua lá. Enquanto lia conseguia discernir onde separar para criar "missões" do jogo e onde entrariam as partes cinemáticas. Claro que isto tirou-me um pouco do ambiente do livro e jogou contra a obra.
   Na minha opinião o autor deveria ter tentado separar um pouco mais o livro do jogo, não alterando o enredo, mas sim a maneira como as personagens falavam ou mesmo as descrições das ações. Parecia tudo já demasiado planeado, como se o autor tivesse apenas feito uma transcrição do jogo para o livro.
   No início parecia ainda haver uma evolução das personagens, com certos momentos de desenvolvimento psicológico, mas isso pareceu-me também estagnar a meio e só no final voltou a despertar.
   Outro ponto a referir no enredo é que esta história não contribui muito para o que é o enredo da saga. Normalmente os jogos seguem uma personagem diferente em cada jogo, esta obra seguiu a mesma personagem do primeiro livro, onde esta não seguiu a história principal mas tomou uma rota secundária para poder dar um final "como deve de ser" à personagem.
   Este volume esteve ligeiramente melhor que o anterior, não sei se pela minha ignorância quanto ou jogo, ou se o autor tomou mais liberdades, tornando-o melhor. Caso queiram saber mais sobre a primeira parte desta saga, sigam o link: Crítica - Renascença
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O Beijo da Noite - Sherrilyn Kenyon

   "O predador da noite Wulf é um antigo guerreiro viking com um poder útil mas muito irritante: amnésia. Ninguém que o conheça pessoalmente se lembra dele passados cinco minutos. Torna fáceis os engates de uma noite, mas difícil qualquer relacionamento mais sério e, sem encontrar o amor verdadeiro, não poderá recuperar a alma. Depois conhece Cassandra, a única mulher capaz de se lembrar de si. No entanto, enquanto princesa da raça amaldiçoada que Wulf jurou caçar, ela está-lhe proibida..."

   Boas leitores!
   E o quinto volume desta saga está aqui! Predadores da Noite, que conta com dezenas de volumes continua a ser lido aos poucos e poucos neste blogue. Veremos quanto tempo passará até ao próximo.
   E com isto até parece que os livros são completamente horríveis... Não completamente, mas certamente que há vários pormenores desnecessários e outros pontos que poderiam ser alterados. Este volume foi até um dos melhorzitos até agora.
   Comecemos pelo enredo que, apesar de ter o típico casal que acabará junto no final do livro, tem uma história background diferente. Este passado por ser diferente consegue apimentar a história um pouco com ação que não seria possível se fosse outro dos típicos enredos.
   Este passado serviu também para dar um pouco mais de informações sobre as mecânicas daquele universo e como é que tudo começou ou foi criado. Claro que o livro Acheron conta 90% desses pormenores, mas esse livro serve como um spin-off ou como um livro a ser lido muito depois destes.
   Acho que a protagonista deste volume foi melhor desenvolvida do que as outras nos volumes anteriores. Já o protagonista desta obra nem tanto. Pareceu uma vez mais, uma daquelas personagens ocas que tem os seus problemas estereotipados e que só se apaixonando poderá resolvê-los.
   Tendo em conta o público-alvo destes livros e todos os livros anteriores que li desta saga, este volume até que nem está mau, decididamente melhor do que o último. Caso queiram saber mais sobre as opiniões desta saga, basta seguirem o link: Crítica - Dança com o Diabo
   Boas Leituras... ;)
6/10

André

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Soul Eater vol.19 - The Soul Does What the Soul Pleases - Atsushi Ohkubo

   "In his madness, Death the Kid has embraced a new notion of "order": Only in nothingness can there be true balance and equilibrium. But for Black*Star, being on equal footing with anyone is not his style. Black*Star has always wanted to "transcend the gods"-now his only chance may be to overpower his shinigami friend and take Death down if he wants to save him...!"

   Hey readers!
   A contagem decrescente continua, agora apenas 6 volumes faltam para acabarmos esta saga. E falando em acabar, este volume acabou finalmente o arco gigantesco que estávamos a ler nos últimos tempos.
   Este volume tem cinco capítulos, o que foi uma festa, e provavelmente aconteceu para que o arco pudesse acabar aqui e não ficar com apenas o final no volume seguinte. E ainda bem que tomaram essa decisão. Assim quando o próximo volume começar será como começar de novo, nova história e novos arcos.
   Qual a minha opinião sobre o final do arco? Um pouco anti-climático para ser sincero. Esperava uma batalha mais emocionante e com imensas dificuldades e no fim foi quase um abraçar a ti mesmo e usar a tua força para derrotar o mal duma só vez. Talvez por ser um arco tão grande a expectativa tenha aumentado, e como não foi realizada, foi um pouco desolador. Mesmo que Kid seja filho de um Shinigami, esperava que a grande luta fosse um pouco mais longa, visto que o inimigo era realmente poderoso ao ponto de ter apanhado todas as personagens, mais nem isso.
   E nem as personagens foram desenvolvidas para além do volume anterior, o que não foi muito, considerando que no anterior não tinha havido grande coisa também. O que é estranho, visto que estes dois volumes abrangem 9 capítulos longos de um longo arco. O único protagonista que teve desenvolvimento foi Kid, e faz sentido ele ser desenvolvido em termos psicológicos, visto que é nele que se centra esta última parte do arco. No entanto, esperava um pouco mais dos outros protagonistas, que ficaram só a olhar quase.
   Foi um volume que deixou muito a desejar, mesmo considerando as desculpas que poderia ter. Caso queiram saber mais sobre esta saga, basta seguirem o link: Crítica - Soul Eater vol.18
   Boas Leituras... ;)
5/10

André

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Escondida - P.C. Cast + Kristin Cast

   "Finalmente Zoey conseguiu o que queria. A verdade sobre Neferet é revelada e o mal é exposto, mas a vampyra está longe de se dar por derrotada e inicia uma série de ataques devastadores.
   Ao serem lançadas as sementes da discórdia e caos na Casa da Noite, todos terão que se unir para enfrentar o mal, uma tarefa que se revela mais difícil do que o planeado. E para dificultar as coisas, Zoey receia estar a perder a sanidade pois suspeita que Heath poderá estar de volta… Ela sabe que deve seguir os seus instintos para derrotar o mal, mas se estiver errada, as consequências serão desastrosas para todos.
   Com a tensão a chegar a um ponto culminante e as amizades a serem testadas, conseguirá o grupo de amigos enfrentar em conjunto o mal que alastra e impedi-lo antes que seja tarde demais?"

   Boas Leitores!
   Mais uma semana, mais uma obra. E continuamos com a saga Casa da Noite, volume dez de doze, ou seja, só mais dois e esta saga acaba! E já não era sem tempo.
   Comparando com o volume anterior, onde dizia que o enredo não parecia avançar nada em direcção ao final da história, este avançou um pouco. Mas de uma maneira completamente desagradável e previsível. Mas comecemos do início.
    Não há muito a acontecer no início, para além da protagonista estar a ruminar nos seus pensamentos sobre o quão desgraçada/sortuda é ao mesmo tempo, como acontece em vários volumes para trás. Não temos uma grande variação desse ponto.
   À medida que avançamos, o enredo não se desenvolve rapidamente, pelo contrário fica como melaço, viscoso e nada fluído. Por vezes é como se estivéssemos a ler uma versão vampírica (e às vezes nem isso) dos livros "Os Cinco" ou "Uma Aventura". Sabemos qual é o início e o fim do livro e sabemos que o meio vai ser só eles a andarem dum lado para o outro.
   Nem as personagens foram desenvolvidas como deve de ser neste volume. O truque das várias perspectivas não teve o mesmo efeito que no livro anterior, e a única personagem que teve algum desenvolvimento foi a personagem em que grande parte do enredo se centrava. Faz sentido ele ser desenvolvido, mas não faz assim tanto sentido todo o resto das personagens estagnarem ou congelarem como se nada se passasse.
   Foi uma obra que pensei que pudesse continuar a aumentar a pontuação para a saga, mas parece que voltou aos valores habituais. Caso queiram saber mais sobre o volume anterior basta seguirem o link: Crítica - Destinada
   Boas Leituras... ;)
3/10

André

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Destinada - P.C. Cast + Kristin Cast

   "As forças da Luz e das Trevas colidem numa luta épica que se desenrola na Casa da Noite. Zoey está finalmente na casa onde pertence, protegida por Stark, o seu Guerreiro Guardião, e preparada para enfrentar Neferet de uma vez por todas. Kalona libertou o seu domínio sobre Refaim e, através do dom da Deusa, ele e Stevie Rae poderão finalmente estar juntos - mas apenas se Refaim se mantiver no caminho da Deusa e se afastar da sombra do seu pai. 
   Mas estará Zoey verdadeiramente em segurança? Conhecerá mesmo todos os seus amigos? E conseguirá o amor triunfar ao ser testado pela própria alma da Escuridão? Venham descobrir em mais um volume da Saga da Casa da Noite o destino que aguarda Zoey…"

   Boas Leitores!
   Passou-se um ano e meio desde que o último volume desta saga foi lido, eu sei. Para compensar, em menos de um mês, aliás, em menos de meio mês, são dois livros da mesma saga a serem lidos, de seguida! (Não que tenha sido feito de propósito, mas isso é outra história)
   Este é o nono volume da saga, que é constituída por doze volumes no total. E de alguma forma, isso poderia significar que o enredo estaria a dar os passos finais para que o último volume fosse o grande final da saga. Porque é que digo isto? Bem, em obras como Wheel of Time não esperaríamos um desenvolvimento rápido nos últimos 3 volumes, mas isso também porque cada volume dessa saga tem mais de 500 páginas. Já a saga Casa da Noite ronda as 200 ou 300 páginas, logo cada volume tem menos para contar e, portanto, menos espaço para longos desenvolvimentos.
   Por outro lado, o enredo desta obra não se compara com fantasias épicas. Até porque não tem assim tão grande enredo. Passamos sempre pelos mesmos dilemas dos outros volumes, mudando só a fonte do problema. Mas, sejamos justos, em romances de fantasia cujo público-alvo sejam os jovens adultos, este livro pode até ser bom (quando comecei esta saga, era um deles, já lá vão uns muitos bons anos), por isso em termos jovens o enredo pode nem ter muitas falhas.
   As autoras fazem uma coisa certa, criar várias perspectivas, sendo livros pequenos é difícil desenvolver personagens, mas mudando as perspectivas ao longo do livro e entre livros vai libertando um laço que se fortalece com o leitor (a não ser que ele só leia um volume por ano, como é o meu caso).
   Quanto ao feeling geral desta obra: não é uma das melhores, e tirando a referência ÓBVIA a outras sagas de outras autoras e publicidade descarada, podia ser bem melhor. Mesmo assim continua a ser um pouco melhor do que o oitavo volume. Caso queiram saber mais sobre esse volume, basta seguirem o link: Crítica - Despertada
   Boas Leituras... ;)
4.5/10

André
   

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Booking Through Thursday - Novas Coisas

   Todas as pessoas precisam de uma mudança de vez em quando, portanto quais são os novos tópicos ou autores em que estás interessado nestes dias? Ou quais são os novos tipos de livros que gostarias de ter mais tempo para ler?

   André: O meu tempo diminuiu, e com isso a seleção de livros tornou-se mais criteriosa. Um dos critérios que foi aparecendo ao longo do tempo foi a existência dos prémios Hugo e Nébula, estou muito mais inclinado a ler livros que ganharam ou estiveram nomeados para estes prémios para poder apreciar grandes obras. Gostava de ter muito mais tempo para ler estes, sem qualquer dúvida.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Crossroads of Twilight - Robert Jordan

   "Rand al'Thor, the Dragon Reborn, must fight on against the Dark One in a struggle that has drawn an entire world into its vortex - claiming the souls of friends and enemies alike.
   He has cleansed the taint of madness from the male half of the True Source, so may now draw on its power as a weapon of awesome potential. This could tip the balance in a perilous battle against evil as Rand must gamble with himself at stake. He cannot be sure which of his allies are really enemies - even among lifelong companions."

   Boas Leitores!
   Quatro meses atrás foi lido o nono volume desta saga. Agora chegou o décimo! (Estamos a seguir com um bom ritmo, hein?) Só mais quatro volumes e esta saga estará terminada, para grande desgosto do meu coração de leitor.
   Como início desta opinião tenho de dizer que a minha opinião quanto ao volume anterior mudou, melhorou um pouco. Se não se lembram, critiquei um pouco o facto da acção final ter sido descrita muito rapidamente e sem saber muito sobre o que estava a acontecer no resto do mundo ao mesmo tempo. Pois é, o primeiro terço deste livro decorre durante esse acontecimento, por isso sabemos as reacções das pessoas que não estão no centro da acção, mas sentem-na.
   Desta vez houve também uma maior diversidade nos capítulos, tivemos capítulos de todos os protagonistas e não foi apenas uma vez, quanto a isso não tenho nada a reclamar. Foi bom rever todos os pontos e saber onde é que cada um estava.
   Mas nem tudo é um mar de rosas. O primeiro terço foi interessante, já o segundo tive a mesma sensação de "engonhanço" que tive no volume anterior. O enredo avançou, mas muito pouco. E claro que depois no terço final foi só criar expectativas de todos os lados para saber mais no próximo volume.
   Este é o penúltimo livro escrito completamente por Robert Jordan, após o décimo primeiro volume, Knife of Dreams, as obras foram completadas por Brandon Sanderson, o que me desperta ainda mais a curiosidade para saber se o autor manteve o nível da saga, confio que sim.
   Melhorou um pouco relativamente ao último volume, vamos ver se a subida se mantém estável ou, ainda melhor, se atinge a qualidade dos primeiros volumes da saga. Caso queiram saber mais sobre a opinião aos livros anteriores, basta seguir o link: Crítica - Winter's Heart
   Boas Leituras... ;)
7.5/10

André

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Bakuman vol.19 - Decision and Delight - Tsugumi Ohba & Takeshi Obata

   "Average student Moritaka Mashiro enjoys drawing for fun. When his classmate and aspiring writer Akito Takagi discovers his talent, he begs Moritaka to team up with him as a manga-creating duo. But what exactly does it take to make it in the manga-publishing world? 
   With their new series, Moritaka and Akito start beating Eiji Nizuma in the Shonen Jump rankings for the first time. But in the actual book sales, Eiji is somehow still on top. The duo is as determined as ever to achieve their dreams, but a new scandal threatens to destroy everything!"

   Boas Leitores!
   Estamos na recta final de Bakuman! Este foi o penúltimo volume! Só mais um e finito com esta saga! Um total de vinte volumes e este é o décimo nono.
   E que tal? Relativamente bom. O enredo está a avançar a um bom ritmo, com um último twist que até faz sentido para o leitor poder ter um pouco da sensação não só do artista de mangá, mas também dos actores que fazem as vozes das personagens dos animes. Se não soubesse de antemão que o próximo volume seria o último, diria que poderia haver até algum suspanse acerca do desfecho final deste arco, mas sendo o final, todos sabemos que acabará bem.
   Finalmente vemos também algum romance, que parecendo que não, acho que é um ponto fulcral nesta história e que, infelizmente, pouco aparece. Mas neste volume não tenho nada a reclamar, muito maior quantidade de interação ou mesmo ação à volta do romance.
   E se pensam que este volume é só romance, então estão enganados. Sim, há essa vertente, mas ao mesmo tempo temos a grande competição entre os rivais de sempre. E essa rivalidade não perde o folgo! Os autores deste mangá fazem isso de forma brilhante, quer na arte quer nos diálogos, é sempre uma tensão imensa que faz querer saber mais e saber como irá acabar.
   Está melhor que o volume anterior, e pelo menos a história não está a acabar à pressa como temia que fosse acontecer, está a tomar o seu tempo, e ainda bem. Caso queiram saber mais sobre esta saga, sigam o link: Crítica - Bakuman vol.18 - Margins and Hell
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Os Filhos de Húrin - J. R. R. Tolkien

   "Num tempo muito remoto, muito, muito antes dos tempos de "O Senhor dos Anéis", um grande país estendia-se para além dos Portos Cinzentos a Ocidente: terras por onde outrora caminhou Barba de Árvore mas que foram inundadas no grande cataclismo com que findou a Primeira Era do Mundo.
   Nesse tempo remoto, Morgoth habitava a vasta fortaleza de Angband, o Inferno de Ferro, no Norte; e a tragédia de Túrin e a sua irmã Niënor desenrola-se sob a sombra do medo de Angband e a guerra forjada por Morgoth contra as terras e cidades secretas dos Elfos.
   As suas breves e apaixonadas vidas foram dominadas pelo ódio que Morgoth lhes devotou como filhos de Húrin, o homem que ousou desafiá-lo e zombá-lo na sua própria face. Contra eles, enviou o seu mais formidável servidor, Glaurung, um poderoso espírito na forma de um tremendo dragão de fogo. Nesta história de conquista brutal e evasão, de esconderijos em florestas e perseguição, de resistência apesar do desespero, o Senhor Negro e o Dragão revelam-se de forma sombriamente articulada. Sardónico e trocista, Glaurung manipulou os destinos de Túrin e Niënor com mentiras e astúcia e perfídia diabólica — e a maldição de Morgoth foi cumprida."

   Boas Leitores!
   E para recordar um dos grandes escritores de fantasia do mundo, temos uma opinião de uma das suas side-stores. Os Filhos de Húrin é um livro isolado, um standalone, que ocorre no mundo de O Senhor dos Anéis, conhecido por todos.
   Como acontece sempre que se lê Tolkien, o início é bastante difícil, temos de remar a fundo para conseguir ultrapassar os mares atribulados de descrições, nomes e terras que o autor manda para cima. Mas assim que passamos essa tempestade e nos habituamos ao ritmo (e já não aparecem tantos nomes) o mundo é incrível. Tolkien não pára de surpreender o leitor com a imensidão do mundo que criou e os enredos que estão envolvidos nesse mesmo mundo.
   A história de Húrin e dos seus filhos é outro desses enredos. No início foi um pouco confuso e nem muito apelativo. Mas antes que me apercebesse estava apegado ao protagonista e a querer saber mais sobre a sua história e os passos que tomou. A mestria de um escritor de criar esse laço emocional entre leitor e personagem sem que o leitor se aperceba é excelente. E não foi só com uma personagem, várias delas foram ganhando um pouco de espaço na minha cabeça de forma a que quisesse seguir a sua história.
   Esta obra teve também a sua vantagem (do meu lado) de ter mais história sobre elfos, ou pelo menos estes entrarem mais no campo de acção. Sempre gostei de saber mais (mesmo após o Silmarillion) sobre esta raça e esta foi uma obra que deu alguns vislumbres.
   O final foi também digno de nota. O seu quê de Romeu e Julieta, mas apresentado de forma inteligente e com todos os mitos após os acontecimentos teve o meu apreço.
   É uma obra ao nível de Tolkien, como sempre. Para os fãns de O Senhor dos Anéis que ainda sentem saudades desse mundo, que tal darem uma vista de olhos a esta obra?
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Booking Through Thursday - Formato

   Sendo todas as outras coisas (como peso, custo e por aí fora) iguais, qual é o teu formato favorito para ler um livro? Capa rígida? Capa mole? Velho? Novo? Primeira edição? Digital? Audio?

   André: Se todos os factores forem iguais, estaria dividido entre livros de capa mole e capa rígida, decididamente novos, não precisariam de ser de primeira edição, isso não me importa muito. Se os factores não forem iguais, então capa mole, o peso e custo dos livros de capa dura não compensam o que são.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Renascença - Oliver Bowden

   "Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração."

   Boas Leitores!
   Houve uma pequena pausa aqui no blogue, mas não se preocupem porque estão planeadas muitas críticas para breve! Por enquanto situe-mo-nos nesta que é Renascença da famosa saga baseada nos jogos Assassin's Creed e que já conta com nove volumes, sendo este o primeiro deles todos. E sim, sei que o julgamento é grande... Começar mais uma colecção... Mas bem, tenho acabado algumas (acho).
   Passemos então a esta obra. Os meus sentimentos são mistos relativamente a esta obra. Por um lado, é realmente a adaptação do jogo, visto que está TAL E QUAL, sem tirar nem por, joguei-o uma vez e acho que até as falas são iguais, só faltava no livro estar "Agora carregue no botão X ou O". Isto não significa que seja mau, afinal é uma adaptação, se por vezes queremos que os filmes sejam tal e qual o livro, porque não querer que o livro seja tal e qual o jogo?
   O problema começa com a opinião das pessoas sobre o jogo. Eu achei o jogo um pouco repetitivo, sempre com missões muito semelhantes para fazer, aborrecendo-me. Como tal, seria melhor para mim se o livro não fosse uma adaptação tão fiel ao jogo e tomasse alguma liberdade. No entanto, ao ler o livro, achei a história mais interessante do que quando jogava, chamou-me mais a atenção. Mesmo assim, continuou a ser repetitiva.
   Nesta obra só temos realmente o protagonista como foco, mas não vemos bem o seu desenvolvimento porque entre os vários capítulos passam-se anos por vezes. Conseguimos entender com algumas pistas que ele amadurece com o tempo, como seria de esperar, e que o jovem que inicia a "aventura" não é o mesmo homem duro que a acaba. Mas para além disso não há muito mais, tal como não haveria num jogo.
   Não me querendo prolongar muito, acho que esta obra será muito polarizada, caso quem o leia tenha jogado o jogo correspondente, podem achar o jogo bom e o livro igualmente bom, ou achar o jogo mau e, como tal, o livro mau. Quanto às pessoas que nunca jogaram o jogo? Talvez terão uma experiência interessante, principalmente no seu final, que me puxou um pouco. E claro que estou interessado no segundo livro, porque o segundo jogo é muuuuito melhor do que o primeiro (e agora sem saber, o segundo livro já não é a adaptação fiel que o primeiro foi ahah).
   Boas Leituras... ;)
6/10

André

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Dança com o Diabo - Sherrilyn Kenyon

   "Zarek é o mais perigoso de todos os Predadores da Noite. Exilado no Alasca durante séculos, desprezado pela deusa que o criou e temido pela sua própria espécie, foi condenado à morte por Ártemis na sua última missão. A sua única hipótese de salvação vem do líder dos Predadores da Noite, Acheron, que convoca a justiça da ninfa Astrid; mas, em toda a história do mundo, Astrid nunca considerou ninguém inocente... Dizem que mesmo o homem mais amaldiçoado pode ser perdoado, mas conseguirá Zarek convencer Astrid de que, por trás de uma besta feroz, se esconde um ser humano que deseja amar e ser amado?"

   Boas Leitores!
   Predadores da Noite, a imensa saga com dezenas de obras, das quais este é apenas o quarto volume. Vá que em vez de um intervalo de dois anos entre o volume anterior e este, foi só de um ano desta vez. Não é que tivesse maior interesse nesta saga, mas como o meu livrólico interior dita "começas uma colecção, tens de acabá-la!".
   E como não valeu a pena. Tudo o que disse do volume anterior aplica-se aqui. Enredo previsível, personagens com muito pouco desenvolvimento, muitas cenas de sexo (estas últimas ao menos relativamente bem descritas).
   Comecemos pelo início, enredo. O certo é que desta vez foi ligeiramente diferente, envolvendo mais mitologia greco-romana, entre outras mais, do que o costume, e isso até que apelou um pouco , mas as bases são as mesmas: predador conhece rapariga, resistência a início que depois se transforma em amor, lutam contra probabilidades ínfimas para conseguirem estar juntos e tentem adivinhar o final? Ficam juntos.
   Quanto a personagens, esse é mesmo o ponto fraco da autora. São ocas e com estereótipos básicos, sem terem qualquer profundidade psicológica. E, como tal, o livro perde metade da piada dessa forma, quando estamos a ler uma história com bonecos em vez de pessoas com que nos ligamos.
   Por outro lado, é engraçado ler os livros por esta ordem tendo já lido a obra Acheron, porque em vez de ter Acheron como a personagem misteriosa e estranha em que cada livro dá uma pequena pista, assim sabe-se já quem ele é e vemos como todos os outros não sabem nada dele e a imagem que ele passa.
   Como seria de esperar, nada de novo em vários aspectos, mas hey, meio ponto por ter mais mitologia! Caso queiram saber mais sobre a saga, podem seguir o link para a obra anterior: Crítica - O Abraço da Noite
   Boas Leituras... ;)
5/10

André

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Soul Eater vol.18 - The Deep Darkness Invites Insanity - Atsushi Ohkubo

   "As Kid struggles against the madness deep in the Book of Eibon, a group of Spartoi members race to rescue their friend. Through page after page of Lust, Gluttony, and Envy, the students must conquer the seduction of their own fears and desires to reach the final chapter! Will their efforts be enough to give this tale a happy ending?!"

   Boas Leitores!
   Estamos a sete volumes do final! Pois é, este é já o décimo oitavo volume dos vinte e cinco desta saga. E continuamos num arco gigantesco que quase daria para ser o arco final!
   Tal como previ na opinião ao volume dezassete, este arco é um dos arcos grandes desta história. Todo o volume passa-se nesse arco, e foram mais quatro capítulos, e não acabou no quarto capítulo, ou seja, o próximo volume ainda vai ter muito para contar.
   E será que vale a pena este arco tão grande? Essa é, verdadeiramente, uma boa questão. É um arco interessante e que não está a ser prolongado como modo de "encher chouriços". Pelo contrário, está a ser rápido até. No final do volume anterior julguei que os próximos capítulos referenciariam cada um, um dos sete pecados mortais, mas não foi assim, por vezes os capítulos deste volume cobriram dois num estalar de dedos. E ainda bem para isso!
   Por outro lado, as personagens estavam um pouco aborrecidas. Entre os protagonistas Soul e Maka foi apenas mais do mesmo, que maça o leitor por estar a bater sempre na mesma tecla. Com os outros protagonistas, pouco se sabe, ou só se sabe algo mesmo no final do volume. Talvez parte da culpa disso seja do volume só ter quatro capítulos, não dando tempo suficiente para o leitor ligar-se às personagens.
   Quanto ao enredo, parece estar interessante, do pouco que avançou para além dos pecados mortais. Talvez no próximo acabe essa parte e avance decididamente, pelo menos aproxima-se uma batalha épica que deverá agarrar o leitor num piscar de olhos.
   Caso queiram saber mais sobre o volume anterior, e os que precederam esses, basta seguir o link: Crítica - Soul Eater vol.17
   Boa Leitura... ;)
7/10

André

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Sangue do Assassino - Robin Hobb

   "Apesar de profundamente enredado nos seus conflitos pessoais, o Assassino tem de preparar uma expedição infalível às Ilhas Externas. Para isso há que ensinar ao príncipe dos Seis Ducados tudo o que conseguir sobre as duas magias - duas misteriosas e temidas magias inerentes ao sangue que ambos partilham. Mas na vida de Fitz nada é fácil, e o seu próprio desconhecimento de muito do que diz respeito a essas magias pode ter consequências catastróficas, tanto para si como para o herdeiro… e, em última instância, para o próprio reino.
   Mas as ameaças não se ficam por aí: quem são realmente aqueles estranhos vilamonteses que apareceram inesperadamente em Torre do Cervo? E os manhosos, que resultará dos seus conflitos internos e que atitude tomará a respeito deles a coroa dos Seis Ducados?"

   Boas Leitores!
   E temos mais uma vez no blogue Robin Hobb, excelente autora de vários livros, nomeadamente este. Sangue do Assassino é o terceiro volume dos cinco que existem em português. Para quem lê esta saga em inglês, este volume é a segunda metade do segundo livro da trilogia. Já estão todos publicados (quer em português quer em inglês) por isso se estavam com receio de começar uma saga ainda não acabada, nada temam.
   É uma obra muito boa tendo em conta o tamanho que tem, não chega às 400 páginas. A autora consegue contar uma história com pés e cabeça, e não uma balbúrdia de palavras com batalhas ou romances forçados sem qualquer contexto. Não só as personagens são caracterizadas ao pormenor, onde sentimos ligações diferentes a cada uma, desde o familiar amigo, angústia por quem conhecemos (ou parece que conhecemos), ou mesmo traição quando assim decorre. A autora sabe conduzir o leitor na sua mão para onde quer e isso é fantástico.
   Como se não bastasse, as magias associadas a este mundo estão bem produzidas, com vantagens e custos consistentes e que fazem sentido. Os assuntos que a autora aborda são polémicos e merecem ser discutidos e o enredo é brutal, levando o leitor a devorar páginas e páginas (ou horas e horas a ouvir audiobooks, se for esse o vosso caso).
   E os pequenos pormenores que são as frases ou relatos ou ainda fragmentos de textos do passado que aparecem no início de cada capítulo são pequenos presentes que a autora dá e que vai saciando a fome de conhecimento daquele mundo.
   Só tive pena do livro não ser maior, ou não termos ainda mais desenvolvimento, mas acho que faria sentido nos livros em inglês, onde teríamos começado muito atrás e o final deste seria até um final apropriado para um livro desse calibre.
   É uma daquelas obras (se não mesmo sagas) que merecem ser lidas, desejoso do próximo volume! Caso queiram saber mais sobre os volumes anteriores, sigam o link: Crítica - Os Dilemas do Assassino
   Boas Leituras... ;)
9/10

André

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Flowers for Algernon - Daniel Keyes

   "Charlie Gordon, IQ 68, is a floor sweeper, and the gentle butt of everyone's jokes, until an experiment in the enhancement of human intelligence turns him into a genius. But then Algernon, the mouse whose triumphal experimental transformation preceded his, fades and dies, and Charlie has to face the possibility that his salvation was only temporary."

   Hey readers!
   Para variar um pouco, agora vamos opinar sobre um livro em inglês. Flowers for Algernon é uma obra isolada (nada de trilogias, sagas ou continuações malucas), que ganhou não só o Prémio Nébula para melhor romance, como também o Prémio Hugo para melhor conto. E bem merece esses prémios!
   Escrito de uma forma brilhante, num formato de entradas dum relatório ou diário, onde o leitor percebe perfeitamente como é o protagonista desta história, essa mesma escrita vai sendo alterada à medida que o enredo avança, acompanhando assim o desenvolver da personagem principal. A estratégia agarra quase de forma imediata quem lê e cria aquele elo emocional entre o leitor e o protagonista, onde sentimos parte do que ele sente.
   O enredo pode não ser dos mais complexos que andam por aí, é até bastante simples. Mas acho que é por essa mesma simplicidade que o livro ganhou mais pontos. É uma história simples, um rapaz que quer ser mais inteligente para que todos à sua volta possam orgulhar-se dele. E o que acontece quando ele assim se torna, não só com ele mesmo, mas também o que acontece com as pessoas à sua volta.
   Achei que fosse também um bom livro de alerta para pessoas que sofrem do mesmo e são alvo de muitos dos actos que acontecem ao longo do livro. Sem qualquer dúvida que vale a pena ler esta obra.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 21 de junho de 2017

As Garras da Águia - Simon Scarrow

   "No terrível Inverno de 44 D.C., vinte mil legionários estacionados na Britânia aguardam impacientemente que a Primavera chegue para retomarem a conquista da ilha. A resistência bretã está cada vez mais aguerrida e os nativos não perdem uma oportunidade de minar os esforços da poderosa Roma. Quando os mais selvagens resistentes, os druídas da Lua Negra, capturam a mulher e os filhos do General Aulo Pláucio, é necessário recorrer a uma medida drástica: dois voluntários da Segunda Legião que se infiltrem em território inimigo numa tentativa desesperada de resgatarem os prisioneiros. Essa sorte cabe ao centurião Macro e ao jovem Cato. Na calada da noite, abandonam o acampamento com a missão de encontrarem a família do general antes que seja sacrificada aos deuses negros dos druídas. Os dois homens sabem que se encaminham para uma morte quase certa. E a sua única esperança é que, com coragem e engenho, possam ludribiar os inimigos mais selvagens e cruéis que alguma vez combateram."

   Boas Leitores!
   Estamos de volta com mais uma opinião, da mesma editora que o último livro lido, mas desta vez é a continuação da saga Águia. Sim, estamos no 3º volume (de cerca de 13), estamos a bom ritmo (muito melhor do que outras sagas da mesma editora).
   Comparemos primeiro com os dois primeiros volumes: melhor do que o anterior, de certeza, ao menos este não teve a imensidão de batalhas que a obra anterior teve, acabando por não criar intensidade nenhuma. Apesar de, mesmo assim, haver demasiadas batalhas para um único livro, ao menos estas não foram tão repetidas e tiveram mais lógica. As descrições mais sangrentas foram os pontos altos na área de descrições, mas essas mesmas caracterizações não se encontravam em batalhas muitas vezes.
   O enredo nesta também mudou ligeiramente, ainda tivemos o enredo principal de conquista da Grã-Bretanha, mas ao menos tivemos uma mudança de ares quanto aos inimigos que os romanos batalhavam. E essa parte tenho de atribuir alguns pontos, até agora sempre tinha lido livros onde os druídas eram os bons da história e os romanos com as suas religiões que vinham impor nas tribos eram os maus da fita. Mas este autor fez trocar os papeis, e o certo é que foi estranho no início e passado um pouco percebi que até teve a sua qualidade.
   Quanto a personagens, foi uma mistura de bom e mau. Houve desenvolvimento duma personagem, ou pelo menos, começámos a conhecer melhor uma das personagens, enquanto que a outra, quanto a psique, foi como se estivesse em estado letárgico, não variou nada.
   Resumindo e concluindo, este volume está entre o primeiro e o segundo no que toca a qualidade, um pouco mais perto do primeiro do que o segundo. Veremos se a qualidade melhora aos poucos e poucos. Caso queiram saber mais sobre a saga (e os volumes que já opinei anteriormente), basta seguirem os links: Crítica - O Voo da Águia
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Os Despojados - Ursula K. Le Guin

   "Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
   Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
   Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?"

   Boas Leitores!
   E aqui temos uma opinião surpresa! Os Despojados, obra recente da editora Saída de Emergência, de Ursula K. Le Guin. Esta obra venceu os prémios Hugo e Nebula, os melhores prémios para fantasia e ficção científica, o que já dá algumas dicas de quão bom é. Este é considerado o primeiro volume do chamado Ciclo Hainish que consiste em dez livros se não estou enganado.
   E após ter lido o primeiro... Onde é que anda o segundo? Quero lê-lo imediatamente! Os Despojados é uma obra brilhante, cheia de inteligência e cultura. Cansados dum enredo típico de ficção científica ou fantasia? Esta obra não é dessas, com um enredo diferente, onde os capítulos são alternados entre o presente e o passado que levou ao presente, a obra não nos cansa, pois está constantemente a levar o leitor para mundos literalmente diferentes.
   O desenvolvimento do protagonista é também dos melhores que já vi. É como se tivesse duas personagens diferentes conforme o planeta onde está, mas no fundo o do passado acaba por transformar-se no do presente e o do presente em algo mais. E o leitor acompanha ambas as transformações, sentimos como que uma ligação especial com Shevek, por vermos o quanto ele faz e o quanto as perspectivas dele mudam conforme o avançar do tempo.
   E se estão a pensar "este livro parece ser demasiado inteligente para mim.", estão completamente errados! O único critério é gostar de ficção científica, de resto vão entender tão bem os diversos assuntos que a autora aborda quanto qualquer outra pessoa. Até acho que se lerem mais do que uma vez vão perceber novas coisas.
   É um livro que aconselho vivamente a lerem. Até a capa fez imenso sentido para mim quando comecei a ler. No início só pensei "eh esta capa não me chama muito a atenção." Mas após ler o livro FAZ TODO O SENTIDO. Estão com medo de começar uma colecção tão grande? Não tenham, esperem que seja tão boa quanto esta primeira obra!
   Boas Leituras... ;)
9/10

André