sábado, 27 de fevereiro de 2016

O Verdadeiro Dr. Fausto - Michael Swanwick

   "A lenda diz que Fausto vendeu a alma ao Diabo em troca de conhecimento ilimitado. Nesta brilhante subversão do mito faustiano por Michael Swanwick, Fausto está em guerra com Deus por ocultar dos humanos o sentido da vida, e deixa-se tentar pelo demónio sedutor que lhe oferece os segredos do voo e do cosmos, os princípios de economia e engenharia, os mistérios da medicina e do átomo.
   Assim se inicia a transição de Fausto de louco a salvador, ao acelerar o progresso humano e precipitar uma nova era de mecanização centenas de anos antes do seu tempo. Mas é então que surge Margaret Reinhardt, e o amor monta uma armadilha a Fausto. Conseguirá o seu amor por Margaret sobreviver incólume à brutalidade e ganância de um mundo que caminha rapidamente para o caos... ou algo pior?"

   Boas Leitores!
   Mais uma obra diferente aqui para o blogue, desta vez de um autor que já foi vencedor dos prémios Hugo e Nebula, para quem não sabe, são dos maiores prémios da fantasia e ficção científica (até devia pegar mais nos vencedores destes prémios, eles merecem!). Não foi com esta obra que Michael Swanwick ganhou os prémios, mas sendo este o único livro publicado cá em Portugal dele decidi tentar.
   É uma leitura estranha, mas que nos leva a pensar várias vezes. Não só em conceitos que nos põem um pouco alienados do mundo como também da possibilidade do mundo ter sido tão diferente se as descobertas científicas mais importantes tivessem sido feitas muitos anos antes. Algumas chegamos à conclusão que teriam a mesma recepção, desdém e ridicularização como no nosso mundo, mas outras talvez fossem muito mais apreciadas.
   Achei grande parte do livro interessante e pode ver-se como ao longo da obra, quanto mais conhecimento Fausto ganha mais vai percebendo que isso o distorce, ou distorce a maneira como vê o mundo e as pessoas. Mas quando chegou à parte do romance, principalmente onde se via a perspectiva de Margaret, o entusiasmo do livro perdeu-se um pouco, deixou de ser a um passo tão rápido quanto antes e também passou a colocar outro tipo de questões ao leitor.
   Algo engraçado foi que não houve um grande desenvolvimento da personagem do Fausto, mas tornou-se o protagonista que o leitor se preocupa e quer saber mais. Acho que parte disso se deveu a uma boa escrita do autor. Tirando as partes em que metia dezenas de termos científicos para dar ênfase aos conceitos completamente estranhos da altura.
   O final tornou-se um pouco pobre para mim, esperei algo que acabasse como o tal "demónio" previra, mas de forma enorme e apocalíptica. Também esperava que a sociedade fictícia avançasse até perto da actualidade ou talvez até depois para ver como é que o autor deixaria as coisas correrem.
   É interessante e fiquei deveras curioso para ler a sua obra vencedora dos prémios de fantasia, talvez um dia pegue nele.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Abraço da Noite - Sherrilyn Kenyon

   "Querida leitora
   A vida para mim é ótima. Tenho o meu café de Chicória, o meu beignet quente e o meu melhor amigo ao telemóvel. Depois de o sol se pôr, sou a pior coisa que percorre a noite: comando os elementos e não conheço o medo. Durante séculos, protegi os inocentes e tomei conta da humanidade, assegurando-me de que estão seguros e a salvo num mundo em que nunca nada é certo. Tudo o que quero em troca é uma miúda gira num vestido vermelho, que não queira mais nada de mim para além de uma noite.
   Em vez disso, sou atropelado por um carro alegórico de Carnaval que me tenta transformar num animal morto à beira da estrada e conheço uma mulher que me quer salvar a vida mas não se consegue lembrar onde me pôs as calças. Vibrante e extravagante, Sunshine Runningwolf deveria ser a mulher perfeita para mim. Não quer nada mais do que esta noite, sem laços, sem compromissos a longo prazo.
   Mas, sempre que olho para ela, começo a desejar concretizar sonhos que enterrei séculos atrás. Com os seus modos pouco convencionais e a sua capacidade para me surpreender, Sunshine é a única pessoa de que preciso. Mas amá-la significaria a sua morte. Fui amaldiçoado e nunca poderei conhecer a paz ou a felicidade, não enquanto o meu inimigo espera na noite para nos destruir a ambos.
   Talon dos Morrigantes"

   Boas Leitores!
   Quem diria que já fez quase dois anos desde que li o volume anterior desta saga? Entretanto já ela tem 26 volumes na sua língua original, entrelaçadas com muitas outras séries da autora e dos quais acho que doze ou treze estarão na nossa língua!
   Claramente que é um livro dirigido para o público feminino, sem qualquer dúvida, começando pela capa, sinopse e depois pelas coisas escritas pela própria editora. Mesmo assim continuo a achar de certa forma errado haver assim esta discrepância tão grande em comparação com outros livros.
   Pontos positivos desta história: muito mais bem escrita do que os famosos livros da autora E. L. James. Não que seja difícil, pelo contrário, é bem fácil escrever de forma mais elaborada do que a acima referida. Mas tenho que afirmar que mesmo para um livro que se foca em descrições sexuais, está bem descrito e elaborado.
   O molde da história, o enredo em si, já não é nada de novo. Homem conhece rapariga, apaixonam-se, coisas acontecem, (sexo, muito sexo), um desastre iminente, salvam-se, vivem felizes para sempre. É isto que normalmente acontece nos livros direcionados ao público feminino e que aconteceu aqui também (e prevejo que aconteça praticamente todas as vezes nos próximos livros).
   Chegou a certa altura da história que já não estava a fazer sentido pelo ridículo que se estava a tornar. Ora era uma personagem em perigo de morte, ora era a outra, e depois trocavam, e trocavam mais uma vez e por aí fora.
   Não há muito mais a dizer sobre isto, é um livro comercial, claramente, cujo enredo é previsível e nada informador ou filosófico, que pelo menos meta o leitor a pensar. Talvez o público-alvo para quem o livro é dirigido aceite e "engula" isto sem questionar ou criticar sequer. Mas não será muito o meu estilo. Os pontos positivos que terá serão mesmo pela escrita sexual, melhor do que muitos na experiência que tenho quanto a isso.
   Para verem as críticas dos volumes anteriores, basta clicarem aqui: Crítica - Prazer da Noite.
   Boas Leituras... ;)
4.5/10

André

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Soul Eater vol. 11 - Face Up! Eyes High! Blaze Your Souls! - Atsushi Ohkubo

   "Arachnophobia has taken the offensive, using "BREW" to threaten anyone who stands in their way. In the wake of the attacks that follow, DWMA sends its top students to quell the madness and gather information wherever they can. But the madness is spreading much quicker and is stronger than they had anticipated. When confronted by an incarnation of the Kishin's madness itself, will Maka and Soul fall victim to the sinister Clown's manipulations?"

   Hello readers!
   Novo volume do mangá Soul Eater, o décimo primeiro já cá está! E queremos sempre mais e mais.
   Na opinião do décimo volume reclamei um pouco por apenas haver quatro capítulos, pois bem, neste já há cinco! Um ponto positivo por isso!
   Também critiquei um pouco o facto do volume anterior não ter tido nenhum capítulo solto, e ser tudo parte de arcos. Este décimo primeiro volume não só teve um arco de três capítulos como também teve dois capítulos soltos, o primeiro e o último deste volume. Mais um ponto positivo a juntar a esta crítica!
   Agora que já falámos de pormenores mais "técnicos", tratemos então do sumo deste volume: o enredo como disse tem um arco pequeno mas importante de certa maneira, cria um marco na guerra que começa a desenvolver-se com imensas frentes. Os capítulos soltos contribuem de forma diferente para a história, mas não se preocupem, se são daqueles fans que só querem saber da história então este volume só contribuirá nesse sentido e não verão nada do género "Excalibur". Se por outro lado gostam é dessas partes, este não é um volume para vocês...
   Continuo a elogiar a arte deste autor, que consegue em certas partes personificar de forma excelente a loucura e o medo adjacente a isso. Um desses exemplos é o "Clown" que mostra não só a personificação da loucura mas também o medo de muitas pessoas, palhaços.
   Agora o ponto mais negativo deste volume, as personagens. Um par de protagonistas temos apenas uns poucos painéis com eles, de resto é como se tivessem desaparecido. Um trio de personagens entra no arco deste volume mas não faz rigorosamente nada, serve de adereço apenas. Ou seja dos 7 protagonistas só temos 2 que sabemos deles e sentimos conhecer um pouquinho mais. Este é o pior ponto deste volume.
   Se quiserem saber mais, já sabem, é só ir clicando nos link's no final das opiniões: Crítica - Soul Eater vol. 10 - Mind Shut, Eyes Shut, Soul Shut In
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Dragões de um Alvorecer de Primavera - Margaret Weis & Tracy Hickman

   "Krynn prepara-se para a batalha decisiva contra os servos de Takhisis, a rainha das Trevas. Os nossos companheiros têm em seu poder as misteriosas e mágicas orbes e lança de dragão, mas será isso o suficiente para resistirem às forças da escuridão?
   Uma batalha ainda maior encontra-se por travar no coração de cada um dos heróis. Tanis está dividido entre a perigosa Kitiara e o amor incondicional de Laurana. Raistlin prossegue a sua demanda por mais conhecimento e poder entre os magos de Krynn, mas o preço a pagar é elevado e poderá não sobreviver. Saberá Caramon, o seu irmão, até onde vai a ambição de Raistlin? Tasslehoff aprende, pela primeira vez, a sentir medo pelos seus amigos.
   Com o alvorecer, novos segredos e traições, mas também grande coragem e sacrifício, serão revelados. Os deuses são testemunhas de que nada voltará a ser o mesmo em Krynn."

   Boas Leitores!
   Outra saga acabada! Ultimamente têm sido bastantes as sagas a terem um término (algumas ao final de anos e anos) aqui no blogue. Isto só dá oportunidade de entrada de novas obras! Mas por enquanto foquemo-nos nesta. Último volume desta trilogia, que mostra ser não a única saga que se passa no mundo de Dragonlance, mas a única publicada em português por enquanto.
   Então que dizer do final da trilogia? Acho que esta é daquelas que vai melhorando pouco a pouco, o primeiro foi o que menos gostei e este terceiro deve ter sido o melhor. Mas o aumento de qualidade não foi completamente linear, a qualidade melhorou muito mais do primeiro para o segundo do que do segundo para o terceiro. O que quer isto dizer? Que o terceiro está apenas um pouco melhor do que o segundo, o que é mau sinal visto este volume ser o final da história deveria assoberbar-me de maneira estrondosa que me fizesse ficar de boca aberta o tempo inteiro.
   Houve um ou dois momentos que fiquei surpreso, não esperava que certas coisas acontecessem e aconteceram, por outro lado era muito previsível que outras pequenas partes fossem suceder-se. Houve um certo balanço entre imprevisível e previsível.
   Houve várias personagens que tiveram um grande desenvolvimento ao longo da obra, mas diria que houve três que permaneceram apáticas nesse aspecto, pareceu que eram apenas adereços necessários para certas partes do enredo.
   E já que pegamos no enredo, está bom ou mau? Interessante e digno de por um sorriso no fim da leitura, é o que consigo descrever, não só pela curiosidade que deixa mas também pelas descobertas (não muito surpreendentes) do final.
   Como já disse a diferença entre este e o segundo é subtil, mas este está um bocadinho melhor (pensem como se estivesse mais perto do 7,5 do que do 7). Se quiserem saber mais sobre a saga, então basta clicarem no link seguinte: Crítica - Dragões de uma Noite de Inverno
   Boa Leitura... ;)
7/10

André

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A Voz - Anne Bishop

 
"Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida, desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar..."

   Boas Leitores!
   Apareceu por aqui um livro isolado de Anne Bishop. Pequeníssimo, não chega a cem páginas parece mais um conto do que propriamente um livro. Tenho de afirmar que o seu tamanho de bolso também não ajuda.
   Mas afinal que conto é este? Uma pequena história do mundo Efémera, mundo esse onde Sebastian e Belladona têm as suas ações. Não há muito que se possa dizer deste livro dado o seu pequeno tamanho mas vou tentar falar dos seus pontos bons e maus.
   A escrita é simples mas não simples ao ponto infantil, aliás tem algumas metáforas (que por vezes deixam de ser metáforas para passarem a ser comparações reais) muito boas e que fazem sentido na história e até no nosso mundo.
   Quanto ao enredo, para cem páginas não podia pedir-se muito, sinto que havia imenso que podia ser explorado e descrito com melhor cuidado, não diria num livro de 400 páginas, mas se calhar 200 tornariam a obra muito melhor. Principalmente na área das personagens, não há muito desenvolvimento, apesar de se passarem anos na história, não sabemos muito da protagonista e no final ficamos sem saber muito também.
   E acho que esse é o ponto fraco deste conto, por ser tão pequeno e pouco descritivo não há qualquer ligação com o leitor, mesmo havendo partes chocantes e revoltantes não são ao ponto de atingir aquele que lê a obra.
   Foi bom para matar aquele bichinho de Anne Bishop (e das suas obras boas, não tanto daquelas que li por último) e aconselho àqueles que gostam da autora.
   Boas Leituras... ;)
7/10

André

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Senhora do Império - Raymond E. Feist & Janny Wurts

   "A Senhora Mara dos Acoma sente-se segura e em paz, e pela primeira vez na vida longe dos seus inimigos - até que uma tentativa de assassinato que lhe é dirigida acaba por matar o seu filho e herdeiro. Cercada por espiões e casas rivais, e perseguida por uma irmandade secreta de assassinos impiedosos, Mara enfrenta o desafio mais letal com que alguma vez se deparou.
   Mas os seus planos de vingança pela morte do filho são rapidamente gorados pela Assembleia de Magos, que detém o poder real do Império e mantém a população dócil e domesticada, além dos terríveis Mantos Negros, que encaram Mara como a ameaça suprema ao seu poder ancestral. Em busca de aliados para assegurar a justiça e paz para o império, Mara tem de viajar para lá das fronteiras da civilização, desvendando antigos segredos até às colmeias dos estranhos Cho-ja. Reunindo toda a sua coragem e astúcia, Mara levará a sua maior batalha em nome da sua vida, do seu lar e do seu império."

   Boas leitores!
   Pois é, o último volume da Saga do Império está finalmente terminada! Após três grandes livros chegamos por fim ao quarto para nos depararmos, não com o espectáculo brilhante que eram os volumes anteriores, mas para um desapontamento brutal que é este grande volume de quase 700 páginas.
   Não só por ter um ritmo bem mais lente do que antes, o primeiro terço do livro é passado numa letargia de morrer de aborrecimento. Não achei que a protagonista Mara fosse tornar-se tão sem qualquer piada ou interesse, mesmo nos volumes anteriores quando o romance começou a aparecer, temi pela história, mas isso revelou-se um bónus ao livro e foi muito melhor do que o que aconteceu neste volume.
   Dei por mim várias vezes a pensar se não estaria a ler um livro da saga Kushiel pela semelhança de enredo. A política e os estratagemas pensados ao pormenor não aparecem aqui como antes, é mais um jogo de dois jogadores em vez de uma competição de vidas entre duas grandes Casas com várias apostas em jogo.
   As viagens constantes da protagonista são, uma vez mais, semelhantes à saga que referi antes. A única coisa realmente interessante é que este volume fala mais sobre a magia daquele mundo. Isto não tinha acontecido nunca (a não ser com a saga O Mago) o que por um lado foi bom descobrir mais coisas sobre este assunto (mas não esticado ao ponto de 700 páginas).
   O ponto positivo final desta obra foi a ação final, foi bem escolhida e o duo conseguiu acabá-la de maneira muito boa, em que dá uma satisfação plena ao leitor. Não que isso não tivesse acontecido já, pois como se lembram a minha opinião do terceiro livro desta saga era que não saberia onde é que os autores iriam pegar visto que parecia que a história tinha acabado ali. Se calhar, deveriam mesmo ter acabado em vez de tentarem prolongar algo que não deviam.
   Tenho de dar o crédito por estar bem construído, mas são prejudicados pelo "enchimento de chouriços" desnecessário. Caso queiram saber mais sobre os livros anteriores, basta seguirem os links: Crítica - A Serva do Império Vol.2
   Boas leituras... ;)
5/10

André

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Booking Through Thursday - Múltiplos

   Tens múltiplas cópias de algum livro? Porquê? É o formato? O tamanho? Só porque amas esse livro?

   André: Não tenho múltiplas cópias de um livro, mas já cheguei a comprar o mesmo livro duas vezes para poder ter as capas todas com o mesmo formato. Odeio ter sagas que estão com estilos de capa diferentes conforme os seus volumes. Sim é um pouco de um distúrbio obsessivo-compulsivo.