terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Espíritos das Luzes - Octávio dos Santos

   "Era uma vez, num outro universo, em outro espaço e outro tempo, um planeta chamado Portugal... que fora abalado por um terrível terramoto que quase destruíra por completo a capital, Lisboa. O Marquês de Pombal, o todo-poderoso primeiro ministro do Rei D. José, prometeu, confiante na capacidade dos seus arquitectos e engenheiros, e também na de milhares de operáriosrobôs, que a cidade seria reconstruída, para diferente e para melhor, em sete dias. Entretanto, aterra no astroporto do Cais das Colunas uma nave que traz o milionário inglês William Beckford. À sua espera está um seu amigo português, o poeta Manuel Bocage, e os dois iniciam um percurso pela megalópole em acentuada e acelerada mutação, durante o qual irão encontrar, além de Sebastião José, outros personagens importantes e fascinantes, entre os quais o Intendente Pina Manique, a Marquesa de Alorna, Voltaire, a Rainha D. Maria I, Kant, António Ribeiro Sanches, Luís António Verney, Luísa Todi... Por entre manifestações místicoreligiosas, encontros científicos e culturais, discussões de política galáctica e orgias tecno-sexuais, Beckford e Bocage ver-se-ão à mercê de um misterioso e inquietante indivíduo, que acabará por os levar até a um sítio onde se guarda o mais espantoso, o mais extraordinário segredo de Portugal..."

   Boas pessoal...
   Here I am depois de tanto tempo para uma crítica nova. Esta crítica é dum livro sem colecções, duma história um pouco estranha e escrita de forma mais estranha ainda.
   Primeiro que tudo tenho de esclarecer que apesar desta obra ser de ficção científica, tem mais de romance histórico, do que ficção. Segundo, todas as falas, e digo mesmo TODAS, são falas reais, ou seja são falas que o Marquês de Pombal ou Kant disseram, escrito palavra por palavra.
   E é agora que chego à crítica em si, é que foi esta maneira de escrever o livro que estragou tudo, sim eu sei que deve ser preciso um grande trabalhão para ver falas e coincidi-las com a história. Mas isso tornou toda a história um pouco discordante e aborrecida, não só porque o tipo de fala de 1755 não é de certeza o mesmo que de 2100 mas também porque as falas eram completas e por vezes não falavam de nada em relação à história, enrolavam até dizer chega.
   Tenho de dar uns pontinhos pela originalidade da ideia, mas não posso dar mais do que isso, porque o livro em si foi dos mais aborrecidos de sempre.
   Se apesar de tudo isto ainda quiserem comprá-lo, podem fazê-lo aqui: Wook
   Boa Leitura... ;)
3/10

André

5 comentários:

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Antes de mais, agradeço-lhe o ter adquirido o «Espíritos das Luzes» - e, se o meu livro lhe foi oferecido, agradeço a quem o escolheu, comprou e lho ofereceu. Agradeço-lhe também tê-lo lido e ter escrito sobre ele neste blog (já agora… não seria melhor inserir datas nos posts? ;-))

Agora, e como decerto compreenderá, não lhe agradeço a opinião, a avaliação que faz dele. Que, muito provavelmente, se deve ao facto de você ter iniciado a leitura à espera de «mais do mesmo». Só que… eu escrevo – tento não escrever - «mais do mesmo»; eu não faço «fast literature». Muito provavelmente, apreciaria melhor o «Espíritos das Luzes» se o lesse uma segunda vez, com mais tempo, com outra disposição. Aliás, há quem o tenha feito… e mudado de opinião:

http://www.paulobrito.pt/espiritos-das-luzes/

E quanto ao meu livro ser, alegadamente, «aborrecido»… bem, há livros que actualmente são consideradas obras-primas da literatura que antes (ou ainda hoje, por muitos) foram criticados por serem «aborrecidos». Isso é tão relativo… Muitas vezes, o «problema» está em quem lê.

AndréAlves disse...

Desde já quero esclarecer que estou bastante agradecido por ter tido a honra de ter um comentário de um autor de um livro que li, é um enorme prazer.
Quanto à crítica, não quis de modo algum ofendê-lo ou à sua obra, mas decerto se apercebeu que este blog não é suposto ser um projecto profissional, cheio de credibilidade, eu não tenho nenhuma experiência profissional anterior, todas estas críticas são opiniões minhas que as pessoas podem querer aceitar ou não, aliás, eu escrevo na maior parte dos livros que não aprecio, que não aconselho, mas que as pessoas podem ler e surpreender-se.
E queria também referir que eu nunca inicio uma leitura “à espera de mais do mesmo”, se não, não leria muitos livros, por vezes não perderia nada, por outras até perderia. E iniciei a leitura do seu livro por achar exactamente que era diferente e como referi no blog gostei da originalidade da ideia, achei uma ideia inovadora.
E sim, talvez gostasse mais do seu livro se tivesse lido noutra altura ou com outra disposição, mas havia sempre a possibilidade de acontecer exactamente o contrário e nem acabar de lê-lo. Como disse é tudo muito relativo. Aliás todas as opiniões são relativas, as pessoas é que têm de decidir aceitá-las ou não. Nunca há “problemas” com as pessoas que leem os livros, cada um lê à sua maneira, pode é haver problemas na forma como se vêm as críticas.
Mas como já disse, muito obrigado por ter decidido escrever aqui, sinto-me bastante lisonjeado. E quanto às datas, obrigado pela opinião, mas sempre estiveram observáveis, basta passar o rato sobre as horas que estão escritas acima dos posts que mostra logo a data em que foi escrito.

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

(Correcção ao meu comentário anterior: no segundo parágrafo, deveria ser, obviamente, «Só que… eu não escrevo – tento não escrever – “mais do mesmo”»)

Não tem de agradecer a minha resposta. Aliás, eu até acho que é um dever do escritor dialogar, sempre que possível, com o leitor, com os seus leitores. Eu não me furto a isso; não vivo numa «torre de marfim», e gosto sempre de saber o que outros pensam, dizem e escrevem sobre o meu trabalho…

… Mesmo quando essas opiniões não me são favoráveis, como é o caso da sua. Não estou ofendido, mas claro que não fiquei contente… ;-) Apesar da sua (pouca) idade, da sua (in)experiência, de não ser um «profissional da crítica», a sua é inteiramente legítima… porque, lá está, leu o meu livro! O que lhe dá o direito de falar dele…

… Mas suponho que concordará que outros terão mais, vá lá, autoridade, legitimidade, para fazerem essas críticas. Aconselho-o, como comparação, a ler (parte d)a recensão escrita e publicada por Miguel Real em 2009 no Jornal de Letras…

http://octanas.blogspot.pt/2009/04/outros-espiritos-no-jl.html

… o mesmo Miguel Real que, no ano seguinte e na mesma publicação, classificou «Espíritos das Luzes» como uma das «seis superiores novidades (…) mais originais e consistentes» da década passada.

http://octanas.blogspot.pt/2010/01/outros-espiritos-em-retrospectivas.html

Porém, se o autor de «A Voz da Terra» for considerado «suspeito» por ter sido ele a apresentar o meu livro aquando do lançamento em Lisboa, então podemos recorrer a um estrangeiro… que não me conhece pessoalmente:

http://octanas.blogspot.pt/2012/03/outros-espiritos-revistos-em-ingles.html

Quero acreditar que, com o «Espíritos das Luzes», se aplica aquela «máxima» de Fernando Pessoa: «primeiro estranha-se, depois entranha-se».

A C Silva disse...

"… Mas suponho que concordará que outros terão mais, vá lá, autoridade, legitimidade, para fazerem essas críticas. Aconselho-o, como comparação, a ler (parte d)a recensão escrita e publicada por Miguel Real em 2009 no Jornal de Letras…"

Tenho que discordar FORTEMENTE com este comentário do autor. Ninguém tem "mais legitimidade" quando se trata de uma crítica de opinião - literária ou não.

Ninguém vai gostar de um livro apenas porque outras pessoas gostaram, independentemente do seu estatuto ou emprego, ou, até, conhecimentos.

Parece-me de péssimo gosto insinuar, sequer, que o dono do blog não tem é "conhecimentos" de como apreciar o livro, e que estas pessoas que fizeram tão boas críticas é que os tem. Pergunto-me se o autor manteria essa opinião se essas críticas que referencia tivessem sido negativas também.

Livros é como tudo - há gostos e gostos. O André não gostou, e de certo que não foi por falta de inteligência ou apreço por um bom livro. Foi sim porque o livro não lhe falou -- e nesse caso a falha não é do leitor (nunca). Trata-se sim do livro que, provavelmente, estará orientado para outro tipo de leitores.

E, sublinho desde já: não há leitores "melhores" ou "piores".

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Terei todo o gosto em responder ao comentário anterior se, e quando, «A C Silva» se identificar plena e convincentemente. Até lá, tudo o que escreveu não passa de uma (enorme) insinuação.

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