quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Bakuman Vol.20 - Dreams and Reality - Tsugumi Ohba & Takeshi Obata

   "Average student Moritaka Mashiro enjoys drawing for fun. When his classmate and aspiring writer Akito Takagi discovers his talent, he begs Moritaka to team up with him as a manga-creating duo. But what exactly does it take to make it in the manga-publishing world?
   For ten years, two young men have worked as hard as they possibly could to make their manga dreams come true. Now, as they sit atop the manga world, can the promise made long ago finally be fulfilled?!"

   Hello readers!
   Bem, aqui está, o último volume da maratona que foram os vinte volumes de Bakuman. Com vários altos e baixos, tenho que afirmar que este volume foi uma boa cereja no topo do bolo. Este volume tem os oito capítulos finais desta história.
   Foi de forma surpreendente que os últimos capítulos de Bakuman trouxeram nervosismo e emoção até mim. Mesmo já tendo visto a série animada, e, como tal, saber o que iria acontecer, ler este volume foi como se não soubesse de nada. Não por ser diferente, mas pela maneira como foi desenhado e escrito, o suspense que os autores criam atinge os leitores de maneira certa. Os primeiros capítulos deste volume foram lidos num ápice, a acção do arco não permitia de outra forma, não pelo menos até conseguirmos saber quem sairia vencedora do concurso (mesmo toda a gente sabendo quem é que acabaria por ser a vencedora, o que só demonstra a qualidade de escrita e desenho dos autores). Imagino que num cenário onde leria estes capítulos semanalmente, como eles saíram no Japão, ao ver estes capítulos não teria ideia que a história estaria a acabar, como tal, o resultado seria imprevisível para mim, tal como foi várias vezes ao longo do enredo.
   Como seria de adivinhar, este foi o volume com maior romance, o que em si é uma pena e uma bênção. Uma pena visto que este romance é o catalisador de toda a história, e seria interessante ter um maior input disso ao longo do enredo. Por outro lado, foi uma bênção ter este romance agora para podermos dar um ponto final de forma feliz.
   Quanto à minha opinião overall da saga, acredito que possa ser polarizante. Por um lado é uma série que sabemos desde o início qual será o seu fim, como tal, não haverá surpresas finais, nem mistério. No entanto, o que conta nesta história não é o seu final, mas sim o percurso. Saber as engrenagens da publicação de mangás, e ver jovens a concretizar os seus sonhos, é disso que esta saga se trata, e quanto a esses objectivos, posso dizer que foram cumpridos. O último volume fez questão de nos dar a cereja no topo do bolo que fomos vendo a ser cozinhado ao longo de todo este tempo.
   Caso queiram saber da minha opinião aos outros volumes, porque nem todos foram bons, foi uma viagem de altos e baixos, basta seguirem os links: Crítica - Bakuman Vol.19 - Decision and Delight
   Boas Leituras... ;)
9/10

André

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Os Portões da Casa dos Mortos - Steven Erikson

   "O Império Malazano é abalado por uma purga da nobreza onde muitos aristocratas são traídos e desterrados para as minas. Enquanto isso, no Sagrado Deserto Raraku, a Vidente Sha'ik e os seus seguidores aguardam o líder prometido de uma rebelião há muito profetizada.
   Perante esta insurreição brutal, as forças malazanas terão de recorrer a um plano de evacuação desesperado e audaz para salvar os refugiados imperiais. De uma dimensão e selvajaria nunca antes vistas, este pico de fanatismo e sede de vingança irá mergulhar o Império Malazano num conflito sanguinário onde as hipóteses de sobrevivência não estão ao alcance de todos."

   Boas Leitores!
   Voltamos às obras estrangeiras. E desta vez é mais uma obra de Steven Erikson, o seguimento da saga O Império Malazano este livro é a primeira metade do segundo livro original.
   E que pena ser apenas a primeira metade, pois o certo foi que ao acabá-lo queria pegar imediatamente no próximo. Mas ainda tenho de esperar algum tempo, que a outra metade ainda não está publicada em português (mas está em processo!).
   Se bem se lembram, a obra anterior tinha sido um pouco confusa de início devido a todos os nomes diferentes de personagens, raças, locais, magias e toda uma outra panóplia de coisas. Este não mudou muito nesse aspecto. O início foi caótico, com uma catrefada de nomes atirados ao leitor. Mas não que isso seja mau, o leitor é atirado para um mundo que desconhece (ou que tem apenas um ligeiro contacto com a primeira obra) é normal nem tudo fazer sentido. Por boa escolha, esta obra tem algumas personagens do primeiro livro, criando assim uma ponte entre os dois onde o leitor pode descansar e sentir-se seguro de que não está à deriva das páginas.
   E assim aconteceu, antes que desse por isso estava agarrado às personagens que não tinha conhecido antes, a querer saber o que fariam. Antes até me poderiam ser personagens indiferentes, mas o certo foi que a escrita do autor conseguiu atirar gavinhas na minha direcção e prender-me àquelas que não dava muita atenção. Outro pormenor na escrita, que consegui perceber só no final, foi que a minha opinião mudava ao longo da obra, tanto gostava de certa personagem, como passei a ter um ódio de estimação por ela, contudo, havia momentos que poderia torcer por essa personagem ainda. Isto é um traço de um grande escritor!
   Quanto ao enredo, é uma história que não falta de grim dark no seu género. Sanguinária às vezes, com descrições detalhas que dão ainda mais intensidade à história, este género carrega a loucura e tensão que os continentes onde esta obra se passa estão a sentir. O único defeito foi ter acabado a meio, ainda por cima quando estava no climáx da acção. Poderia ter lido a outra metade num outro instante.
   Como já disse, e repito, estou desejoso de ler a segunda parte, e experimentar mais da escrita deste autor fantástico. Caso queiram saber sobre o primeiro livro da saga, basta seguirem o link: Crítica - Os Jardins da Lua
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Anjo Branco - José Rodrigues dos Santos

   "A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo.
   O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
   No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda do mato.
   Chamam-lhe o Anjo Branco.
   Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.
   Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens dignas de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África."

   Boas Leitores!
   E aqui estamos mais uma vez com José Rodrigues dos Santos, ou neste caso, com uma obra dele. Como todas as outras obras, esta é mais uma obra isolada, que não necessita de leitura prévia ou posterior para poder entender-se tudo. Contudo, caso estejam interessados, existem pequenos pormenores da obra A Vida num Sopro que interagem com a obra que estamos a opinar aqui. Não é, de todo, uma leitura necessária para que se consiga entender a obra O Anjo Branco.
   Este livro versa sobre o Ultramar, caso não tenham entendido isso pela sinopse, e sobre como essa guerra alterou muito o estado dos países de África. Temos uma perspectiva muito boa escrita pelo autor, tanto de como Portugal vê as colónias, num tom depreciativo e racista, mas também de como tenta fazer-se por vezes o melhor para eliminar essas diferenças e distâncias raciais. Escrito numa típica escrita simples do autor, este livro de mais de 600 páginas lê-se rapidamente.
   A obra teve um modus operandi semelhante à última obra que li dele, onde vemos no início do livro o nascimento e crescimento duma criança que eventualmente dá origem ao protagonista da história. Desta vez o segundo protagonista foi só introduzido depois do crescimento da primeira, quase como se o ápice do primeiro protagonista fosse o início do segundo, apesar de eles não entrarem em contacto até muito depois no livro.
   Tirando estas duas personagens achei que o resto delas tinha pouco material onde se agarrar. Esperava que Mimicas, umas das personagens femininas fosse ter uma maior importância, que não teve, tal como Sheila, ambas com finais repentinos. Não sei se foi de propósito, querendo mostrar o facto de que naquela altura, em Portugal, o papel feminino quase não existia e o mundo era governado apenas por homens.
   O enredo foi por certo interessante. A parte final do livro, apesar de um pouco apressada, criou emoções fortes e vontade de ler tudo num ápice. Se tivesse sido um pouco mais prolongada, principalmente nos efeitos pós-"terrível segredo", acho que ficaria ainda melhor, teríamos um final conclusivo, em vez de algo que ficasse um pouco em aberto, principalmente quanto às relações entre personagens.
   É, contudo, uma grande obra. Para aqueles que têm interesse no Ultramar, esta é a obra a ler. Outros factores como romance ou intriga, o autor tem melhores livros para isso.
   Boas Leituras... ;)
6.5/10

André

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Luz Miserável - David Soares

   "O horror está de volta.
   Nestas três histórias, David Soares (O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados) apresenta imagens de luz e trevas que não deixarão ninguém diferente.
   Do ambiente exótico de A Sombra Sem Ninguém, passando pelos interiores claustrofóbicos de A Luz Miserável, até à extravagância macabra de Rei Assobio, prepare-se para conhecer personagens inesquecíveis, como um homem "quase" invisível, três soldados amaldiçoados e um velhote mutilado e vingativo.
   Do suspense ao splatterpunk, A luz Miserável é um livro de contos provocadores, diabólicos e literários. Uma viagem vertiginosa ao lado negríssimo da imaginação."

   Boas Leitores!
   Mais uma semana com um autor português a aparecer no blogue! Desta vez não é uma estreia, David Soares de volta. Esta obra é uma obra isolada que conta com três contos (de que são falados na sinopse). É uma obra pequeníssima que não chega às 150 páginas, mas que tem muito para contar.
   Esta obra é completamente diferente da anterior que li do mesmo autor, Batalha. Estes três contos não são, de todo, para os mais susceptíveis. Com descrições bastante gráficas de cenas violentas, o leitor consegue ter toda a imagem mental do que lê. No que toca ao horror, este autor está de parabéns porque conseguiu atingir o objectivo no alvo.
   Falando dos contos em separado, o primeiro deles foi o mais fraco na minha opinião. Foi o que conteve mais fantasia de entre os três e menos horror, talvez por isso tenha achado o mais fraco. Ao comparar com os dois seguintes este não carregava a mesma emoção nem força motriz para ser lido.
   O segundo foi, de longe, o meu favorito. Começa de forma horrenda e misteriosa, do qual o leitor pouco vai entendendo. Mas o autor vai dando pequenas pistas sobre o que aconteceu e o que está a levar ao presente na história e, após uma grande cadeia de acontecimentos psicadélicos, ficamos num estado de choque perante a imagem que temos do final deste conto.
   O terceiro foi o que ficou a pender para o bom lado destes três. Também virado para o horror, com grandes descrições, só não ganhou mais ímpeto por achar por vezes demasiado longo no seu desenvolvimento. Talvez tenha sido fruto de ter lido dois contos menores antes e estar à espera de mais do mesmo, o certo é que a qualidade deste conto é também alta.
   No geral é uma obra de horror escrita por um autor português equiparável ao grande Stephen King. Fiquei definitivamente curioso em ler mais deste autor, de preferência neste género. Aconselho a todos aqueles que gostem de se sentirem horrorizados por descrições e ficarem com um olho a espreitar para todos os cantos à espera que algo apareça.
   Boas Leituras... ;)
8.5/10

André

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

E Se...? - Randall Munroe

   "Milhões de pessoas visitam XKCD.com todas as semanas para ler a vinheta de Randall Munroe. As suas figuras simples e desenhos minimalistas sobre ciência, tecnologia, amor e o sentido da vida têm uma vasta legião de seguidores.
   Fãs de XKCD colocam a Munroe imensas questões bizarras. E se tentasses bater uma bola de basebol lançada a 90% da velocidade da luz? Se houvesse um apocalipse robótico, quanto tempo duraria a Humanidade na Terra?
   Na busca de respostas, Munroe opera simulações de computador, analisa dossiês de pesquisa militar confidencial, resolve equações diferenciais e consulta operadores de reatores nucleares. As suas respostas são obras de arte de perspicácia e humor e normalmente preveem a absoluta aniquilação da Humanidade ou uma explosão inimaginável que arrase tudo!
   E se...? é uma leitura obrigatória para todos aqueles que adoram os grandes enigmas da vida, da ciência e, claro, perguntas tão absurdas quão divertidas."

   Boas Leitores!
   Fazemos esta semana uma pausa nos leitores portugueses para lermos uma obra ligeiramente diferente. Esta obra é mais um compêndio de questões absurdas com respostas científicas, não um romance de literatura fantástica. Como tal é um livro isolado que qualquer um poderia pegar, principalmente se é um daqueles leitores com o bichinho da ciência.
   Uma obra com uma grande vertente cómica, mesmo quando trata de ciência, um assunto que muitos acham aborrecido. Claro que as ilustrações são um ponto fulcral para que essa onda cómica atinja os leitores. Eu pelo menos vi-me por diversas vezes a rir ao ver ou ler um dos comics que o autor fazia.
   As perguntas por vezes interessantes, outras assustadoras (e ainda outras que me fazia questionar quem é que consegue imaginar aquele tipo de perguntas) são variadas e algumas até bem surpreendentes. As respostas, por outro lado, apesar de serem explicadas de forma acertada, onde qualquer pessoa que leia consiga entender, acabam por ser um pouco repetitivas na sua conclusão: tudo explode/morre. A culpa não é do autor, a ciência é assim e se os factos ditam aquilo, então não haveria volta a dar. Mas aposto que haveria uma variedade enorme de perguntas que não acabariam no mesmo corredor de pensamento.
   E acho que o autor sente o mesmo ao final do livro, quando chega à conclusão que é bom não destruir tudo constantemente. Acho que este é o único pormenor por onde a obra peca. Se tivesse perguntas mais variadas (a maior parte estava apenas no campo da física (onde o autor tem maior background), com uma ou outra a versar sobre química ou biologia) seria interessante de formas ainda mais absurdas.
   É definitivamente uma obra para quem tem a curiosidade de querer saber o que aconteceria caso as condições mais insólitas se reunissem. Aconselho.
   Boas Leituras... ;)
8/10

André

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Memórias de um Vampiro - Rafael Loureiro

   "Memórias de um Vampiro é o primeiro volume de uma trilogia onde romance e aventura se combinam para nos abrirem as portas a um universo repleto de emoções intensas, valores supremos e conflitos arrebatados. Movendo-se nas sombras, existe uma realidade para além daquela que conhecemos, uma sociedade paralela que descende de linhagens que se perdem nos primórdios dos tempos. Daimon DelMoona é um dos membros dessa sociedade. Nascido no século XVII, viu o seu mundo desmoronar-se quando a mulher que ia desposar morre. Do seu sofrimento é resgatado por uma vampira, que lhe concede o Novo Nascimento. E assim começa para Daimon uma odisseia que atravessa os séculos para culminar numa batalha contra o tirano Alexander, um vampiro sedento de poder, responsável pela morte de muitos vampiros inocentes. Para travá-la, novas alianças terão de ser forjadas, e um amor com ressonâncias do passado terá de ultrapassar duros obstáculos. Mas conseguirá Daimon vencer esta cruzada e concretizar o seu amor sem fim?"

   Boas Leitores!
   Aqui estamos uma vez mais com autores portugueses na mesa de cabeceira. E por mais uma semana é para estrear outro autor português aqui no blogue. Desta vez é Rafael Loureiro. Esta obra é a primeira de uma trilogia com o nome Nocturnus onde todos os volumes da trilogia já foram publicados pela mesma editora, Editorial Presença.
   É uma obra do género fantástico (claro, visto que envolve vampiros). Os vampiros nesta história são dos antigos (significado: não brilham à luz, caso sejam expostos a luz solar morrem) e esta não é outra daquelas obras que giram à volta de problemas de adolescentes. Mas os leitores pensam: "Vampiros, outra vez? Mas essa moda ainda não acabou?". Ao que respondo: sim, porque, por vezes, uma história com vampiros não significa o mesmo de sempre e pode ser criada de uma maneira completamente original.
   Começa por ser uma obra interessante quanto ao seu setting de sociedade vampírica. A ideia de criar linhagens diferentes (quase como se tivessem evoluído de um ancestral comum) foi boa e deu logo um ar diferente ao enredo do que o típico "único criador" dos vampiros. O facto de cada uma das linhagens ter características só suas devido ao ancestral foi um pormenor interessante e que poderá ser bem mais investigado nos próximos volumes.
   No entanto achei o livro pobre em escrita. Não pelo autor escrever mal, mas por parecer a primeira obra do autor. Não que todas as primeiras obras sejam más, e mesmo que algumas tenham uma má escrita não quer dizer que devam logo ser rejeitadas. A escrita nesta obra poderia ter sido tão mais aprofundada, com melhores descrições.
   E o mesmo se aplica ao enredo. Este é um livro pequeno, com cerca de 200 páginas. Muito facilmente poderiam ter sido escritas mais cem que adicionariam uma profundidade enorme à obra tornando-a, a meu ver, muito mais apelativa e sem que houvesse partes onde tudo acontece em meia página, num jeito meio à pressa.
   Espero que o próximo volume da trilogia traga mais alguma profundidade a este mundo e até a algumas personagens que só foram desenvolvidas muito superficialmente.
   Boas Leituras... ;)
6/10

André

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Batalha - David Soares

   "Em Batalha, David Soares apresenta uma história em que os animais são protagonistas. Passado no início do século XV, Batalha é um romance sombrio, filosófico e comovente, que observa o fenómeno religioso do ponto de vista dos animais e especula sobre o que significa ser-se humano.
   Batalha, a ratazana, procura por sentido, numa viagem arrojada que a levará até ao local de construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o derradeiro projecto do mestre arquitecto Afonso Domingues. Entre o romance fantástico e a alegoria hermética, Batalha cruza, com sensibilidade e sofisticação, o encantamento das fábulas com o estilo negro do autor."

   Boas Leitores!
   Voltamos a pegar em leitores portugueses (dar um incentivo a este pequeno nicho, que temos de ajudar, principalmente quando se trata de fantasia/ficção científica em Portugal) desta vez um autor que nunca antes li, David Soares.
   Não tinha expectativa nenhuma para este
livro, nunca li nada do autor nem nunca tinha ouvido falar dele. Mas em geral foi uma leitura agradável. Não sei se consideraria isto no campo da fantasia ou da ficção científica, sendo que o único elemento fantástico são animais falantes. O centro da história é muito filosófica e faz o leitor pensar constantemente sobre estas questões.
   A escrita é em certos pontos entusiasmante, com violência e horror que atingem o leitor da maneira certa, de forma directa mas sem chocar em demasia. Por outro há um uso excessivo de palavras digamos "arcaicas". Algumas é certo que só são estranhas pela falta de uso no dia-a-dia e não me incomodaram muito. Outras vezes o uso deste tipo de palavras é tão intenso que tirava-me do "estado de leitura" e portanto interrompia o fio à meada.
   Tirando isso a história não algo por aí além até porque não é isso o cerne da obra. A obra centra-se em conversas sobre o significado de religião e vida, dor e morte entre muitos outros. São estas conversas que fazem o interesse aumentar e criam faíscas na mente dos leitores para fazê-los pensar mais do que aquilo que está escrito em papel.
   Pelo que ouvi falar, esta não é uma obra "típica" do autor, pelo que estou curioso para ler mais dele. Mas tenho de admitir que esta obra não é para todo o público, é algo pesada e apenas aqueles que sabem para onde se dirigem é que decidirão lê-lo, precisam de estar no estado de mente correcto, por isso boa sorte!
   Boas Leituras... ;)
7/10

André